Coleta de resíduos eletroeletrônicos em discussão
Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, é importante definir quais serão as atitudes adotadas para cada tipo de resíduo. E para essa definição o Conselho Nacional de Meio Ambiente está se preparando.
| Conama define em setembro obrigações sobre coleta de eletroeletrônicos
Por Cristina Ávila, do MMA |
Reuniões que tratam sobre a resolução desse tipo de resíduo, que traz complexidade para a coleta e destinação, tem a participação do MMA, da cadeia produtiva e de representantes de estados e municípios.
Os acordos setoriais previstos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos que será sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira (2/8), já estão se realizando na prática. A nova legislação que será regulamentada por decreto neste ano tem como uma de suas características a logística reversa – o que significa a obrigação dos fabricantes pela destinação de seus produtos depois de descartados pelos consumidores -, outro aspecto que a caracteriza é o estímulo a parcerias que tornarão possível essa tarefa.
É o que vem acontecendo no Conselho Nacional de Meio Ambiente. Em reunião agendada para setembro, o Conama deverá ter definido consenso a respeito da coleta e destinação de eletroeletrônicos. A partir daí, o assunto vai para as câmaras técnicas e depois para o plenário. As reuniões que tratam sobre a resolução desse tipo de resíduo tem a participação do MMA, da cadeia produtiva e de representantes de estados e municípios. “Vemos com muita satisfação a aprovação da Política Nacional, pois vai facilitar o diálogo que já existe no Conama”, afirma Zilda Veloso, gerente de Resíduos Perigosos.
Zilda explica que esse é um grupo de trabalho que tem a particularidade de tratar de resíduos muito diversos, que vão desde um pequeno celular a uma grande geladeira. O que traz complexidade para a coleta e destinação. “Hoje não existem responsabilidades definidas. Esperamos que a resolução do Conama contemple responsabilidades para os importadores e fabricantes. O que, aliás, é o espírito da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, comenta ela.
A expectativa é compartilhada com o setor produtivo. “Avançamos no debate e já temos diversos pontos de consenso”, diz André Saraiva, diretor de Responsabilidade Social da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica. Segundo ele, um desses pontos é justamente sobre as obrigações de cada segmento para que a reciclagem se torne realidade.
Além das questões de responsabilidade ambiental pelo destino de produtos como computadores, celulares, secadores de cabelo, geladeiras, outro motivo que mobiliza a sociedade é o valor econômico dos resíduos. Um dos exemplos da expectativa da indústria é a presença de Philipp Bohr na reunião mais recente, realizada no dia 28 de julho. Ele está interessado nas decisões do Conama a respeito da coleta. Isso porque é representante de uma empresa suíça que será inaugurada, em setembro, em São Paulo, para a reciclagem de geladeiras e freezers.
“Temos capacidade de reciclar 420.000 geladeiras por ano, com aproveitamento de frações de aço, plástico, metais não ferrosos, polietileno e o CFC (clorofluorcarboneto), que é canalizado e transformado em ácido de uso industrial”, afirma Phillipp Bohr. Para que essa indústria funcione, o segmento deve estar organizado, para que a coleta não representante custos que inviabilizem o negócio.
André Saraiva explica que o consenso que se desenha no Grupo de Trabalho se refere justamente a isso – o que não é tão simples como parece, no caso de geladeiras de clínicas laboratoriais, por exemplo. “Uma geladeira com essa origem precisará ser descontaminada”. Saraiva cita que para se formular a resolução do Conama é necessário ter uma visão geral sobre o assunto. “Não se pode destinar um computador com dados pessoais para a reciclagem, é preciso primeiro deletar informações. Também não é possível transportar sem que se pense na questão jurídica, pois esses computadores são legalmente propriedade de alguém”, disse ainda.
Via (Envolverde/MMA)
agosto 2, 2010 1 Comment
Rio de Janeiro restringe uso de sacolas plásticas
Em atitude exemplar, Rio de Janeiro cria lei que visa diminuir o uso de sacolas plásticas.
| Uso de sacolas plásticas no comércio do Rio fica restrito a partir de sexta-feira
Por Redação da Agência Brasil |
Rio de Janeiro – O uso de sacolas plásticas para embalar mercadorias fica restrito no Rio de Janeiro a partir de sexta-feira (16), com a entrada em vigor da Lei nº 5.502 de 2009. Os parlamentares da Assembleia Legislativa do estado tinham aprovado o adiamento para janeiro de 2011, mas o Diário Oficial do estado publicou nesta terça-feira (13) o veto do governador Sérgio Cabral.
Também na sexta-feira, fiscais da Secretaria do Ambiente vão a supermercados e lojas para garantir a aplicação da lei. O órgão informou, no entanto, que inicialmente eles vão realizar ações educativas e não está prevista a aplicação de multa, que pode chegar a R$ 20 mil.
De acordo com o presidente da Associação de Supermercados do Rio de Janeiro, Aylton Fornari, o comércio vem se adaptando há algum tempo às novas regras.
“Estamos preparados para cumprir essa lei, os mercados vão dar desconto de 3 centavos em cada cinco itens para quem não quiser levar a sacola. E vão disponibilizar outros tipos de sacolas reforçadas, como de lona e ráfia, que possam ser reutilizadas. Isso já vem acontecendo há algum tempo, mas sexta começa a fiscalização da mudança do sistema”, destacou Fornari.
O comércio popular também terá de observar a lei. O presidente da Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega (Saara), Ênio Bittencourt, diz que será difícil mudar em tão pouco tempo e reclama da falta de alternativas.
“A gente vai fazer o que for possível, porque o comércio popular utiliza muito esse material. Vai ficar meio apertado o prazo, vamos tentar diminuir, porque não nos apresentaram nenhuma alternativa”, disse Bittencourt, que representa comerciantes do maior centro de comércio popular da cidade.
Rosângela de Souza, que trabalha numa papelaria na Praça Mauá, no centro do Rio, reclamou da falta de informação, apesar de ser a favor da preservação do meio ambiente.
“Tem mais é que mudar mesmo, o que pudermos fazer para melhorar o meio ambiente será ótimo, o planeta agradece. Mas faltou informação, porque no nosso caso acabamos de comprar um estoque para seis meses de sacola plástica. Não sabemos o que vai ser feito ainda”, disse a vendedora.
Em quase um ano da campanha Saco É um Saco, do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Secretaria do Ambiente do estado, foram recolhidos mais de 600 milhões de sacolas plásticas no Rio de Janeiro. A assessoria da Secretaria do Ambiente informou que a campanha vai ser intensificada com o objetivo de esclarecer a população sobre os prejuízos que o plástico causa ao meio ambiente, já que a decomposição do material leva até 500 anos.
Edição: Juliana Andrade
(Envolverde/Agência Brasil)
julho 19, 2010 No Comments
Campo Grande terá Ecopontos para coleta de lixo eletrônico.
Em Campo Grande – Mato Grosso do Sul, a prefeitura irá implantar 4 ecopontos, em diversos locais da cidade, para coleta de lixo eletrônico.
Os produtos serão armazenados temporariamente nos ecopontos até serem encaminhados para reciclagem ou descarte, em empresas certificadas.
Com essa atitude, a prefeitura visa a prevenção dos impactos que seriam provocados caso o lixo eletrônico fosse disposto de maneira errada na natureza, e ainda contribuirá com a formação de diversos jovens, que participarão de um Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC).
Fonte: Matéria no jornal Correio do Estado, Domingo, 23 de maio de 2010.
maio 26, 2010 1 Comment
Curitiba – Feira Brasileira de Reciclagem 2010
Entre 16 e 19 de Junho, pelo quinto ano consecutivo em Curitiba, será realizado o evento RECICLAÇÃO – Feira Brasileira de Reciclagem, Preservação e Tecnologia Ambiental. Que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável, a geração de negócios e a integração entre a comunidade científica e as empresas privadas atuantes no segmento ambiental e de reciclagem.
Além de feira e da exposição de maquinários, equipamentos e serviços, a RECICLAÇÃO também é composta por vários eventos técnico científicos que visam a capacitação de profissionais atuantes nestes segmentos, assim como a muitiplicação e disseminação da consciência sócio ambiental necessária para a educação e preservação do meio ambiente. Entre os eventos simultâneos, esta o III Seminário de Saneamento Ambiental, o Seminário de Gestão Ambiental e Mudanças Climáticas, o Seminário de Reciclagem Agrícola – Resíduos Urbanos, Industriais e Rurais, e o Curso de Introdução ao Mercado de Reciclagem.
Mais informações no site: www.montebelloeventos.com.br/reciclacao
maio 25, 2010 No Comments
Descarte de lixo eletrônico em São Paulo
fevereiro 22, 2010 3 Comments
Lixo urbano: soluções
O lixo urbano acarreta em uma série de problemas ambientais:
- transmissão de doenças e proliferação de vetores;
- contaminação do solo e lençol freático devido a disposição final inadequada;
- entupimento de bueiros, que geram enchentes e alagamentos;
Leia mais sobre este assunto site Problemas Ambientais.
fevereiro 7, 2010 1 Comment
Gerenciamento de Resíduos Sólidos

Fluxograma do ciclo de vida de um resíduo urbano (lixo urbano)

Panorama dos resíduos sólidos: diferenças entre Europa e Brasil

Impactos ambientais dos Processos Produtivos
Figuras sobre Gerenciamento de Resíduos Sólidos de autoria de Luiza Spengler Coelho – Engenheira Ambiental.
janeiro 7, 2010 No Comments
Soluções para o problema dos Resíduos Sólidos
A cada dia surgem novas soluções para o problema dos resíduos sólidos:
Idéia inovadora transforma lixo e dejetos em adubo
Por Fernanda B. Müller e Paula Scheidt, do CarbonoBrasil
Duas soluções simples e eficientes prometem resolver o problema dos resíduos seja em áreas urbanas ou rurais, decretando o fim da coleta seletiva nas cidades e do mau cheiro nas suinoculturas.
Seguindo a risca a famosa frase de Lavoisier “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, uma nova tecnologia empregada em um Centro de Processamento de Lixo em construção em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí em Santa Catarina, promete ser capaz de recuperar 100% os materiais que compõe o lixo, em especial, os resíduos orgânicos, sanitários e plásticos contaminados.
Com a separação dos materiais recicláveis, o sistema permite a obtenção de novas matérias-primas como madeira plástica e, a partir de um processo mecanizado e automatizado de compostagem, gera também adubo. “A tecnologia têm condição de eliminar 100% a necessidade de utilizar os aterros sanitários”, afirma Dirnei Ferri, empresário responsável pela criação do sistema.
O projeto é resultado de uma primeira invenção de Ferri, voltada para a área rural, que trata totalmente os dejetos de suínos. A tecnologia transforma os rejeitos do estado líquido para o sólido e produz um biofertillizante seco, estabilizado, sem cheiro, livre da atração de vetores (como moscas e outros insetos) e de grande valor comercial, ambiental e agronômico.
Lixo urbano
O Centro de Processamento de Lixo, em testes há 10 meses, está previsto para ficar pronto em fevereiro de 2010, podendo receber as cerca de 10 toneladas de lixo domiciliar produzidas diariamente pelos 22 mil habitantes de Ituporanga.
Diferentemente dos aterros sanitários, onde o lixo é enterrado, neste Centro o que chega dos caminhões vai para uma linha de triagem, onde são retirados alguns tipos de materiais recicláveis, e o restante segue para a compostagem, onde será transformado em adubo.
Ferri explica que o sistema não elimina o custo da disposição de resíduos, mas substitui um método no qual ‘paga-se para enterrar e poluir’, por outro no qual ‘paga-se para processar, reutilizar e reciclar’. “No primeiro os prejuízos são imensos, já no segundo os ganhos são imensuráveis”, afirma.
Entre os benefícios da tecnologia estão a descontaminação, a retirada e o encaminhamento para reciclagem de diversos materiais sólidos como vidros, plásticos e metais; e a transformação em composto orgânico dos restos de alimentos, vegetais, papéis contaminados (como o papel higiênico). Ferri alerta, contudo, que ainda é preciso estudar qual seria o melhor uso para o biofertilizante produzido.
O principal ganho do projeto, comemora o inventor, é a retirada dos plásticos filmes que compõe o lixo, como sacos, sacolas de supermercado e embalagens plásticas, que viram matéria-prima para a produção de madeira plástica. Somente em Ituporanga, onde o plástico filme responde por aproximadamente 10% do total do lixo, será possível recuperar 30 toneladas deste material todos os meses.
O Centro também está sendo projetado para reduzir ao máximo o número de pessoas que entra em contato com os resíduos e poderá ser instalado em lugares mais próximos dos locais de geração, pelo seu baixo impacto ambiental, por não gerar mau cheiro e nem permitir a proliferação de vetores.
O processo, patenteado por Ferri, pode ser replicado em qualquer lugar, bastando apenas dimensioná-lo para o tamanho da população e quantidade de lixo gerada. “Isso é possível porque o lixo não é acumulado indeterminadamente como nos aterros sanitários, depois do primeiro ciclo, que leva 45 dias, a mesma quantidade que entra, sai diariamente para os processos de reutilização, aproveitamento e reciclagem”, explica Ferri.
Resíduo rural
O processo de compostagem também é a base do sistema de manejo de dejetos suínos desenvolvido por Ferri, que de tão eficiente em resolver o problema lhe rendeu no início do ano o Prêmio Fritz Muller na categoria Agricultura Sustentável, promovido pela Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) para reconhecer os principais projetos e trabalhos na área ambiental desenvolvidos no estado.
Tradicionalmente, as fazendas de suínos contam com uma esterqueira para armazenar os dejetos, um processo altamente impactante ao meio ambiente devido aos riscos de contaminação de rios, lençol freático e solo e à emissão de metano, gás do efeito estufa 21 vezes mais potente para causar o aquecimento global que o dióxido de carbono (CO2). Além disso, sem o tratamento adequado, estes dejetos criam vetores de doenças e exalam um odor extremante forte.
No caso da granja de Pomerode, também no Vale do Itajaí, quatro mil suínos são criados, gerando 28 toneladas por dia de dejetos. Estes resíduos são conduzidos por canos até um galpão dividido em leiras contendo serragem. Por aspersão, os dejetos são distribuídos ao longo das leiras, misturados e aerados por um maquinário desenhado para este processo.
O composto orgânico resultante deste processo é altamente rico em nitrogênio, potássio e fósforo (NPK), sendo de grande valia tanto para a fertilização do solo, como para a geração de renda para os suinocultores.
Segundo Ferri, se não fosse por este projeto, atualmente a fazenda visitada estaria fechada, pois não teria área suficiente para a aspersão dos efluentes gerados. “Somente para espalhar esta quantidade de dejetos, seriam necessários no mínimo 200 hectares de área agricultável, volume de terras inexistentes para esta finalidade no município ou na região”, explica.
Conforme dados da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Santa Catarina conta hoje com cerca de 6,2 milhões de cabeças de suínos, que geram aproximadamente 43.200 metros quadrados (o equivalente a seis campos de futebol) de dejetos todos os dias, totalizando mais de 15 milhões de metros quadrados por ano (cerca de 2100 campos de futebol).
“Se esta tecnologia fosse implantada para todos os suínos do estado, seriam gerados anualmente 1,24 milhões de toneladas de biofertilizante e, pela não geração de metano, deixariam de ser emitidas cerca de 3,1 milhões de toneladas equivalentes de CO2”, afirma Ferri.
O custo aproximado por cada animal em uma propriedade de mil suínos é de R$ 80 a R$ 90, o que pode variar de acordo com as condições de cada propriedade.
A produção de resíduos é inevitável em qualquer atividade, seja ela urbana ou rural. Com rebanhos de animais cada vez maiores e uma produção média de lixo na casa das 230 mil toneladas diárias, fechar o ciclo é fundamental para garantir a qualidade ambiental, o equilíbrio econômico e benefícios sociais.
Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil
© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
novembro 6, 2009 1 Comment
Lixo eletrônico: o que fazer?
Mais uma nova problemática na área de resíduos sólidos: o lixo eletrônico.
Lixo eletrônico: o que fazer?
Por Gabriela Bittencourt, do Nós da Comunicação (Envolverde – 31/07/2009)
Quando chega o fim da vida útil de artigos eletrônicos, quem deve se responsabilizar pelo descarte adequado desses produtos? Será a população, os fabricantes ou o poder público? Na verdade, todos devem ter sua parcela de comprometimento: os consumidores precisam fazer um uso racional desses equipamentos, empresas têm de orientá-los sobre o destino final, e cabe ao governo regulamentar esse processo de descarte. Essa é a ideia defendida por entidades, grupos da sociedade civil e políticos interessados no assunto. No entanto, esses papéis ainda não estão bem definidos.
Para Rodrigo Baggio, empreendedor social, fundador e diretor-executivo do Comitê para Democratização da Informática (CDI), a solução desse impasse ainda não está pronta. De acordo com ele, é preciso um amplo debate entre todos os segmentos sociais, que devem lidar de modo crítico, atento e responsável. “Em geral, numa sociedade cujos atores e setores ainda não se sentem suficientemente autônomos, uns ficam esperando os outros encontrarem uma solução. Então, ninguém toma a questão para si e dá o primeiro passo”, afirma.
Felipe Andueza, membro do projeto lixoeletrônico.org, também acredita que todos os setores da sociedade devem assumir sua responsabilidade. O grupo criou o Manifesto do Lixo Eletrônico, cuja proposta é incluir esses equipamentos no Projeto de Lei 203/91, em tramitação na Câmara dos Deputados, que obriga a logística reversa e deposição adequada de produtos com potencial de contaminação. Andueza comenta que estudo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que apenas 1% dos eletrônicos do mercado formal consumidos no Brasil são reciclados. Dada a gravidade do problema, ele assegura que há muito a ser feito.
“As pessoas, como cidadãs, podem cobrar políticas públicas eficientes. Já como consumidoras, podem pressionar os fabricantes a aceitarem os equipamentos que produziram. As empresas fabricantes de eletrônicos devem se responsabilizar pelo ciclo reverso de seus produtos e, como consumidoras, devem dar o melhor destino a seus descartes tecnológicos. Enquanto o poder público deve regulamentar políticas públicas eficientes na área, consumir eletrônicos com certificação ambiental e promover a reciclagem e a conscientização da população”, considera Andueza.
Consumo e lixo
O deputado estadual de São Paulo, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), autor do Projeto de Lei 33/2008, sancionado pelo governador José Serra em julho de 2009 e que institui normas e procedimentos para a reciclagem, o gerenciamento e a destinação final de lixo tecnológico, entre outras providências, explica que é necessário compatibilizar o avanço produtivo e da tecnologia com a preservação do meio ambiente. “Sabemos do papel estratégico do Brasil como um dos quatro países do mundo, com China, Rússia e Índia, com maior potencial de desenvolvimento econômico nas próximas décadas. E é claro que esse desenvolvimento inclui a questão da ampliação do acesso à tecnologia”, comenta.
De acordo com Barbosa, dados apontam que foram comercializados no Brasil cerca de 12 milhões de computadores somente em 2008, contra os 10 milhões no ano anterior. Ainda em 2007, os brasileiros compraram 1.912 milhão de laptops, o que representou um salto de 183% sobre as vendas de 2006. “Calcula-se que o mercado brasileiro possua 140 milhões de aparelhos celulares em operação. Isso sem contar a venda de televisores, que bate recordes sucessivos todos os anos. O problema é que o tempo atual de obsolescência desses equipamentos é de dois a quatro anos”, pondera.
O consumo exacerbado e a menor vida útil dos artigos eletrônicos implicam o agravamento da situação. “Especialistas das áreas de tecnologia e de meio ambiente preveem que o País deve enfrentar, nos próximos cinco anos, uma enxurrada de lixo tecnológico; situação que já se tornou um problema grave para os Estados Unidos e países europeus. São Paulo, como o maior pólo consumidor desses equipamentos no País, deverá ser o estado mais afetado nos próximos anos pela questão”, salienta.
Para o deputado, os consumidores devem ter conhecimento da composição dos produtos que levam para casa. Isso porque alguns materiais possuem grande concentração de agentes químicos altamente nocivos ao meio ambiente e à saúde da população. “O arsênico presente nos celulares ou o chumbo dos computadores e dos televisores pode causar desde danos ao sistema nervoso até o câncer, por exemplo”, completa.
Falta de regulamentação
Rodrigo Baggio lembra que, no Brasil, não há uma legislação em âmbito federal que trate claramente do papel das empresas no que se refere à fabricação, ao recolhimento e ao descarte desses produtos. “Estamos muito atrasados nessa questão, sobretudo em função da crescente venda de computadores e periféricos e do menor tempo de vida útil dos equipamentos. Mas já existem leis municipais e estaduais, sobretudo em grandes centros de consumo como Rio de Janeiro e São Paulo, que se reportam à responsabilidade das empresas fabricantes”, avalia o fundador do CDI.
O deputado de São Paulo explica que o projeto sancionado em julho pelo governador José Serra prevê que os estabelecimentos comerciais possuam pontos de coleta de equipamentos. “Esse é um arranjo que deve ser estabelecido entre os comerciantes e as empresas e/ou importadores com os quais eles trabalham”, emenda Barbosa. A ideia do projeto é que o consumidor entregue o equipamento usado na loja em que foi adquirido, por exemplo, e o comerciante encaminhe para o produtor. “Nada impede, no entanto, que os fabricantes e importadores disponibilizem números de telefone que o consumidor possa acessar para que o produto seja retirado na residência da pessoa, como algumas empresas já fazem em vários países”, acrescenta.
Apesar de considerar imprescindíveis as leis que atentem empresas e cidadãos para suas responsabilidades com o lixo, Baggio lembra que elas não têm papel educativo, medida crucial para resolver a situação. Para ele, consumidores conscientes têm o poder de escolher melhor e de lutar por condições econômicas, sociais e ambientais mais corretas e justas. “O cidadão comum não tem o direito de jogar seu equipamento velho em qualquer terreno, apenas transferindo o problema de lugar. Por isso, é preciso disponibilizar postos de coleta, formas de recolhimento e, principalmente, informação a respeito do assunto. Afinal, estamos na era do conhecimento, com muito mais facilidade para nos comunicarmos e expressarmos. Devemos usar isso a favor da construção de uma postura mais cidadã e de uma vida com mais qualidade e dignidade”, opina.
Segundo Baggio, o CDI estuda esse tema com apoio de professores e especialistas. O objetivo da entidade é contribuir para aprofundar a qualidade das informações e das discussões. “Estamos distantes de uma solução ideal. Será que é mais conveniente cuidar do lixo aqui ou mandar para fora? As próprias empresas fazerem ou terceirizarem o serviço? Para onde estão enviando o que sobra dos computadores, e quem manipula esses restos? São perguntas a serem respondidas, mas com o apoio do poder público, sem dúvida”, discorre.
Uma notícia publicada pela Agência Estado no domingo, 26 de julho, revela que os Estados Unidos exportam 80% de seus resíduos eletrônicos para países pobres, incluindo o Brasil, com a maior quantidade desembarcando na China. Os números da consultoria suíça Basel Action são ainda mais alarmantes e citam que os chineses ficam com 90% do lixo norte-americano, além de produzirem anualmente 1 milhão de toneladas.
Atuação dos produtores
Marcus Nakagawa, assessor de Sustentabilidade da Philips afirma que a empresa entende a necessidade de se buscar continuamente o melhor aproveitamento dos equipamentos tecnológicos fora de uso. Por isso, a companhia criou o Ciclo Sustentável Philips, um programa destinado a recolher e reciclar os aparelhos eletrônicos da marca que estejam obsoletos. “Os equipamentos entregues nos postos credenciados receberão a correta destinação e, sempre que possível, a reciclagem. O programa visa a minimizar o impacto ambiental e a produção de lixo, promovendo sustentabilidade e bem-estar”, explica, acrescentando que o piloto da iniciativa foi lançado em Manaus (AM), em 2008, e será estendido para o restante do País após a análise dos resultados.
Por intermédio do programa de preservação ambiental, instituído há dez anos para, inicialmente, receber baterias, a Motorola já recolheu 280 toneladas de componentes eletrônicos para reciclagem. Essa é uma iniciativa mundial da companhia para descarte adequado de acessórios e aparelhos fora de uso. De acordo com informações da empresa, foram retiradas 30 toneladas de material nos postos de coleta instalados nas 120 lojas do Serviço Autorizado Motorola de todo o País em 2008. Por considerar o programa um sucesso, a empresa criou o ECOMOTO em 2007. A iniciativa prevê que, após a coleta do material cuja vida útil tenha terminado, os componentes sejam analisados e classificados para o processo de reciclagem e algumas substâncias, como cobre, ouro, bronze e ferro, recuperadas.
A IBM também possui uma política voltada para o descarte adequado dos resíduos de sua produção e também dos equipamentos que ficam nos clientes. Segundo comunicado da empresa, desde 2000 os monitores deixaram de ser enviados para aterros sanitários. A companhia passou a armazenar esses equipamentos até identificar uma tecnologia ambientalmente correta para efetuar a destinação final. Em 2008, 180 toneladas de monitores começaram a ser enviadas para reciclagem. Nesse processo, o vidro, por exemplo, se transforma em bolinhas de gude.
De acordo com Nakagawa, a Philips busca estabelecer uma convergência de forças com fornecedores, clientes, funcionários e parceiros para compreender os dilemas da sustentabilidade. E, nesse processo, a Comunicação Corporativa tem muito a contribuir. “Essa área é de vital importância para a difusão da conscientização tanto do público interno da empresa quanto do público externo a respeito das políticas que visam à sustentabilidade, que é parte integrante de nossos negócios globalmente. Ela impulsiona a criação e o desenvolvimento de soluções e de produtos com maior eficiência energética e responsabilidade socioambiental. A sustentabilidade é a garantia de manutenção de mercados e negócios futuros da empresa”, completa.
Fonte: Envolverde/Revista Plurale
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agosto 2, 2009 2 Comments
Reciclagem – Link útil
Link útil para ajudar na implantação de coleta seletiva em municípios e condomínios:
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/cartilha/reciclagem.shtml
fevereiro 25, 2009 No Comments
