Informações sobre Meio Ambiente, Licenciamento Ambiental, Tecnologias, Gestão e Controle Ambiental.
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Tecnologias ambientalmente corretas serão exigidas nas licitações

A adoção de tecnologias ambientalmente corretas em todas as áreas da sociedade é uma tendência mundial, que busca otimizar e manter os recursos naturais sem esgotá-los rapidamente. O uso destas tecnologias passou a ser critério para as licitações do governo, o que mostra um alinhamento do Brasil com esta tendência.

Governo adota critérios de sustentabilidade nas licitações

A utilização de critérios sustentáveis na aquisição de bens e na contratação de obras e serviços pelos órgãos do governo federal foi regulamentada pelo Ministério do Planejamento. As regras abrangem os processos de extração ou fabricação, utilização e o descarte de produtos e matérias-primas.

De agora em diante, as obras públicas serão elaboradas visando a economia da manutenção e operacionalização da edificação, redução do consumo de energia e água, bem como a utilização de tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental.

“Essas regras vão exigir uma readequação do mercado, já que nem todos os fornecedores terão produtos qualificados para as nossas exigências”, alertou o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. Segundo ele, o governo possui grande poder de compra e deve induzir essas mudanças junto ao mercado.

“Com essas medidas, o governo estimula a sociedade a seguir esse caminho, não apenas porque dá o exemplo, mas também porque pode induzir os fornecedores a se preparar para fornecer produtos e serviços ambientalmente sustentáveis”, justificou.

Entre as determinações, há a exigência para que as construtoras tenham um projeto de gerenciamento de resíduos provenientes da construção civil que atendam às normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Assim, os resíduos das obras serão destinados a aterros sanitários ou usinas de tratamento de lixo.

A Instrução Normativa também prevê, no caso das obras públicas, a utilização de sistemas de reuso de água e energia, procedimentos para reduzir o consumo de energia, utilização de materiais reciclados, reutilizáveis e biodegradáveis e redução da necessidade de manutenção, além do uso de energia solar. Outra exigência é a comprovação da origem da madeira para evitar o emprego de madeira ilegal na execução da obra ou serviço.

O governo federal também recomenda que os bens e serviços sejam constituídos, no todo ou em parte, por material atóxico, biodegradável e reciclado e que não contenham substâncias perigosas em concentração acima da recomendada na diretiva européia RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances). Entre eles, o chumbo, o cromo, o cromo hexavalente e o cádmio.

A Instrução ainda traz regras para a contratação de serviços, como a separação dos resíduos reciclados descartados pelos órgãos, a adequada destinação para pilhas e baterias e a utilização de produtos de limpeza e conservação de produtos que atendam às determinações da Anvisa. O documento também prevê que as empresas contratadas realizem programas internos de treinamento para a redução de consumo de energia elétrica e  de água.

(Envolverde/Em Questão)

janeiro 27, 2010   No Comments

Conceito de Capacidade de suporte do meio

É necessário entender o conceito de capacidade de suporte do meio, que é o nível de utilização dos recursos naturais que um sistema ambiental ou um ecossistema pode suportar, garantindo-se a sustentabilidade e a conservação de tais recursos e o respeito aos padrões de qualidade ambiental (Vide figura abaixo).

Não importa se o recurso é renovável ou não-renovável, o meio ambiente sempre tem uma capacidade máxima de suporte relacionada ao tempo que aquele recurso leva para se regenerar naturalmente (exemplo: fixação de nitrogênio pelos microorganismos no solo).

Figura  - População máxima sustentável pelo Brasil considerando o impacto ambiental de cada habitante. Fonte: Revista Veja Edição 2071, 30 de Julho de 2008.

Podemos dizer que a capacidade de suporte de utilização de um recurso natural foi ultrapassada a partir do momento em que ele começa a ser consumido mais rapidamente do que sua capacidade de reposição.

Todos os problemas ambientais atuais são resultantes de um padrão de desenvolvimento econômico que não buscava mitigar os impactos ambientais de sua produção e desenvolvimento tecnológico, ou seja, não adotava posturas ambientalmente corretas ou trabalhava dentro da capacidade de suporte do meio ambiente.

A figura a seguir ilustra a relação entre meio ambiente e desenvolvimento econômico: o meio ambiente fornece os insumos e energia necessária, ou seja, toda a matéria-prima que entra nas diversas fases de uma cadeia produtiva: desde a extração do recurso natural até o uso e consumo final do produto, e em todas as fases são gerados resíduos que são dispostos no meio-ambiente, muitas vezes sem o tratamento adequado ou acima da capacidade de suporte do meio.

Foi esta interação insustentável entre o homem e o ambiente que gerou os problemas ambientais atuais, que causam consequências adversas principalmente à saúde humana e para a economia mundial.

Figura  - Efeitos do desenvolvimento econômico sobre o meio ambiente.

A maneira de gerir a utilização dos recursos naturais é o fator que determina o grau de impacto das ações antrópicas sobre o ambiente natural. O grau de impacto é função de três variáveis:

  1. a diversidade dos recursos extraídos do ambiente;
  2. a velocidade de extração destes recursos (se permite ou não a sua reposição, isto, é, se está dentro da sua capacidade de suporte);
  3. e a forma de disposição e tratamento dos seus resíduos e efluentes.

dezembro 4, 2009   No Comments

Relação entre processo produtivo, Gestão e Auditoria Ambiental

Um processo produtivo é o ato de transformar matérias primas em um produto específico através de uma linha de produção, a qual tem entradas (insumos e energia) e gera saídas (poluentes e resíduos). A figura abaixo demonstra essas principais entradas e saídas.

Observe que as saídas podem gerar impactos ambientais adversos e também apresentar riscos para a saúde dos trabalhadores, o que chamamos de riscos ocupacionais. Assim um programa de gestão ambiental visa justamente minimizar todos os efeitos adversos que possam ser decorrentes destas entradas e saídas de processos produtivos, e por sua vez uma auditoria ambiental visa avaliar a conformidade e o desempenho deste programa.

dezembro 3, 2009   No Comments

Sistema Brasileiro de Certificação Ambiental

O sistema brasileiro de certificação ambiental é constituído pelas organizações credenciadas para certificarem, pelas empresas certificadas e pelo Inmetro, órgão do governo brasileiro responsável por regular a estrutura de certificação no Brasil.

De todas as normas do compêndio ISO 14.000, apenas a NBR ISO 14.001 sobre Sistema de Gestão Ambiental e a NBR ISO 14.040 sobre Análise do Ciclo de Vida são passíveis de avaliação de conformidade. Assim quando uma empresa possui uma certificação ISO 14.001 automaticamente sabemos que o seu Sistema de Gestão Ambiental encontra-se em conformidade com o estabelecido na NBR ISO 14.001:2004.

Para obter uma certificação ISO 14.001 é necessário contratar um Organismo de Certificação de Sistema de Gestão Ambiental – OCA, que são empresas certificadas pelo Inmetro que conduzem e concedem a certificação de conformidade, com base na norma ISO 14.001.

A relação das organizações credenciadas para certificarem, e das empresas brasileiras com certificação ISO 14.001 está disponível para consulta pública no portal do Inmetro na Internet.

É importante lembrar que atualmente, a certificação de um Sistema de Gestão Ambiental pela ISO 14.001:2004 é um requisito essencial para as empresas que desejam competitividade em um contexto de mercado globalizado através da melhoria de seu desempenho ambiental, e pode ser aplicada a qualquer atividade econômica, fabril ou prestadora de serviços.

Para a certificação de um sistema de gestão ambiental é necessário a aplicação de uma auditoria de certificação na atividade a ser certificada. A NBR ISO 14.001 é a norma que certifica, no entanto, as outras normas do compêndio ISO 14.000, como as NBRs ISO 14.010, ISO 14.011 e ISO 14.012 são normas de apoio que também devem ser obedecidas na certificação.

novembro 29, 2009   No Comments

Benefícios da implementação de Sistemas de Gestão Ambiental

Afinal, por que implementar Sistemas de Gestão Ambiental?

A crescente conscientização ambiental da sociedade aumentou a pressão sobre a comunidade empresarial de que os padrões de produção e consumo correntes são insustentáveis. Assim, as empresas entenderam que, para continuarem funcionando, terão que integrar, cada vez mais, componentes ambientais a suas estratégias comerciais e seu planejamento estratégico.

Atualmente, as empresas que oferecem mais informações sobre o seu desempenho ambiental melhoram as relações com acionistas, fornecedores e consumidores, e isso representa uma vantagem de mercado.

Normalmente, a implementação de um sistema de gestão ambiental é um processo voluntário. O grande motivo para a implantação desse sistema é que o meio ambiente representa ao mesmo tempo riscos e oportunidades, para que uma empresa seja bem-sucedida ela deve controlar os riscos e desenvolver as oportunidades.

Ao optar pela implantação de um SGA, as companhias não recebem apenas benefícios financeiros, como economia de matéria-prima, menores gastos com resíduos, aumento na eficiência na produção e vantagens de mercado, mas sim, estão também diminuindo os riscos de não gerenciar adequadamente seus aspectos ambientais, como acidentes, multas por descumprimento da legislação ambiental, incapacidade de obter crédito bancário e outros investimentos de capitais, e perda de mercados por incapacidade competitiva.

Benefícios da adoção de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA):

  1. Conformidade legal, evita: Penalidades; Indenizações civis e processo criminal; Menor tolerância das autoridades; Paralisação das atividades; Mudança de local.
  2. Melhoria da imagem da companhia (reputação), pois:
    Os consumidores preferem produtos ecologicamente corretos, e o mercado reconhece e valoriza organizações ambientalmente corretas cada vez mais;
    Instituições financeiras e seguradoras avaliam o desempenho ambiental das empresas;
    Transparência e empresas “limpas” são bem vistas;
  3. Melhoria da competitividade (vantagem de mercado), pois:
    Compromisso ambiental é prática básica no comércio internacional;
    Consumidores mais influentes começam a exigir critérios ambientais;
    Padrões internacionais mais rigorosos para acesso a mercados;
    Com a globalização da economia mundial e a criação de grandes blocos internacionais, como a União Européia, o cuidado com o meio ambiente passa a ser um fator estratégico.
  4.  Redução de custos, devido à:
    Minimização dos desperdícios de matéria-prima e insumos;
    Eliminação de risco de passivo ambiental e despesas dele decorrentes;
  5. Conformidade junto à matriz e/ou clientes;
    Prevenir problemas X Corrigir problemas (minimiza despesas com remediação e multas);
    Melhoria contínua  (estar sempre um passo adiante dos concorrentes).

Concluindo, cuidado com meio ambiente não é apenas sinônimo de despesa, pois o gerenciamento ambiental também pode significar economia de insumos, maior valor agregado ao produto, novas oportunidades de negócios e boa reputação para as empresas identificadas como ecologicamente corretas.

março 19, 2009   1 Comment

Gestão ambiental X Gerenciamento ambiental

Muitas pessoas confundem as expressões gestão ambiental e gerenciamento ambiental.

A gestão ambiental integra em seu significado:

1.    A política ambiental, que é o conjunto consistente de princípios doitrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. Uma estratégia ambiental adequada, expressa através de uma política ambiental, é o marco inicial para que as empresas considerem os aspectos ambientais das suas operações.

2.    O planejamento ambiental, que é o estudo prospectivo que visa a adequação do uso, controle e proteção do ambiente às aspirações sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente em uma política ambiental, através da coordenação, compatibilização, articulação e implantação de projetos de intervenções estruturais e não-estruturais;

3.    O gerenciamento ambiental, que é o conjunto de ações destinado a regular o uso, controle, proteção e conservação do meio ambiente, e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela política ambiental.

Observa-se assim que o gerenciamento ambiental, na verdade, é parte integrante da gestão ambiental.

dezembro 27, 2008   1 Comment

Impactos ambientais da produção Industrial

A história da relação de indústrias com o meio ambiente tem demonstrado que os impactos ambientais resultantes das atividades produtivas podem vir a comprometer o futuro do planeta. Desta forma, todos os esforços na busca de promover o desenvolvimento sustentável devem ser prioritários, tanto a nível acadêmico, profissional, como político-social.

Com o passar do tempo percebeu-se que a geração de resíduos industriais, em especial, é resultado da ineficiência de transformação de insumos (matérias–primas, água e energia) em produtos, acarretando em danos ao meio ambiente e custos para a empresa. A geração de resíduos passou a ser considerada como um desperdício de dinheiro com compra de insumos, desgaste de equipamentos, horas de empregados, etc, além dos demais custos envolvidos com o seu armazenamento, tratamento, transporte e disposição final. A solução para a minimização destes problemas veio com a adoção de técnicas conhecidas como de “controle preventivo”, significando evitar ou minimizar a geração de resíduos na fonte. São exemplos disso: a minimização do consumo de água, o uso de matérias – primas atóxicas, dentre outras.

Desta forma, torna-se essencial o interesse pelos processos produtivos industriais e a realização de projetos e estudos que visem a redução e a erradicação de poluentes gerados, afim de garantir a preservação do meio e benefícios econômicos para a própria indústria. E para se atingir a produção sustentável são requeridas ações muito mais amplas, dentre as quais se destacam a Produção Mais Limpa e a Prevenção a Poluição, cujos principais conceitos serão apresentados logo a seguir.

A busca para se atingir a produção sustentável, através de redução e/ou erradicação de resíduos poluentes na fonte geradora consistem no desenvolvimento de ações capazes de promover a redução de desperdícios, a conservação de recursos naturais, a redução ou eliminação de substâncias tóxicas, a redução da quantidade de resíduos gerados por processo e produtos, e consequentemente, a redução de poluentes lançados para o ar, solo e águas.

Têm sido utilizados ao redor do mundo diversos termos para definir este conceito, tais como: Produção mais Limpa (Cleaner Production), Prevenção à Poluição ( Pollution Prevention), Tecnologias Limpas (Clean Technologies), Redução na Fonte ( Source Reduction) e Minimização de Resíduos ( Waste Minimization).

dezembro 3, 2008   4 Comments

Reformulação no design de produtos reduz Impacto Ambiental

A notícia abaixo demonstra a aplicação prática da técnica de ACV – Análise de Ciclo de Vida – na redução do impacto ambiental de um produto. E também demonstra como o design de um produto é determinante na quantidade e nos tipos de impactos ambientais que o mesmo vai gerar no futuro.

CATÁLOGO DA NATURA É REFORMULADO E REDUZ EM 32% O IMPACTO AMBIENTAL

Novo projeto diminui em 3.500 toneladas por ano a geração de resíduos.


Fonte da notícia: Empresa: MVL COMUNICAÇÃO – São Paulo, 05/08/2008

A Natura estréia neste mês o novo projeto editorial e gráfico do seu catálogo, publicação utilizada pelas consultoras e consultores para levar aos consumidores as informações e conceitos por trás dos produtos da marca. A mudança vai propiciar não só uma comunicação mais eficiente como vai ajudar a empresa a reduzir o impacto ambiental das suas atividades.

A reformulação culminou com a redução de quase 60 páginas em relação à versão anterior. Outra novidade é a substituição do papel reciclado por couché. A decisão pela troca foi subsidiada tecnicamente por testes e com base na metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) realizada pela companhia, que analisou a cadeia da produção da publicação com os dois tipos de papel. O couché, por ter um peso menor (gramatura, no jargão industrial) do que o reciclado, levará a companhia a reduzir em 3.500 toneladas ao ano o consumo de papel e, conseqüentemente, a quantidade de resíduos gerados pelo descarte.

Além disso, o couché que será utilizado é certificado FSC (Forest Stewardship Council), organização internacional não-governamental que define critérios de certificação florestal e de cadeia de custódia em toda a cadeia produtiva do papel _que começa com o plantio da árvore, a indústria de celulose, a transformação da matéria-prima em papel, o transporte e a impressão do produto.

As análises conduzidas pela Natura revelaram que o conjunto de medidas do novo projeto editorial e gráfico levará à redução de 32% por ano do impacto ambiental provocado no processo de produção do catálogo. Colocadas dentro de toda a cadeia de negócios da empresa, as mudanças vão possibilitar uma redução anual de 2% das emissões da companhia de CO2 equivalentes, ou 4.500 toneladas. Esta ação está alinhada com o Programa Carbono Neutro da companhia, bem como a preocupação com o consumo consciente.

Além do ganho ambiental, a utilização do papel couché branco dará melhor qualidade gráfica ao catálogo, que passará a retratar de forma mais fiel as cores, importante no processo de apresentação de produtos cosméticos.

Outra novidade é que o catálogo completo terá uma versão virtual, disponível no site www.natura.net. Essa ferramenta vai no futuro permitir às consultoras, consultores e consumidores funcionalidades como, por exemplo, o envio de e-mails com informações e fotos de produtos e um sistema de busca.

“Conseguimos com esse novo projeto o ganho duplo que havíamos planejado: um catálogo mais bonito e eficiente e que vai gerar menor impacto ambiental”, explica Erasmo Toledo, diretor de Planejamento Mercadológico e Vendas e de marketing de Relacionamento da Natura.

Com tiragem média de 2 milhões a cada 21 dias, o catálogo da Natura é uma das publicações de maior circulação no país.

novembro 24, 2008   No Comments

ACV – Análise de Ciclo de Vida

Todos os produtos possuem uma espécie de “vida”, que começa com o seu design, seguido pela extração da matéria-prima, beneficiamento industrial, uso ou consumo, até a destinação final (reuso, reciclagem, lixo). Todas as atividades, ou processos, desta “vida” possuem um impacto ambiental associado, seja pelo consumo de recursos naturais não-renováveis ou pela emissão de gases poluentes durante o beneficiamento industrial.

Relação entre os processos produtivos e o meio ambiente.

Relação entre os processos produtivos e o meio ambiente.

Ou seja, podemos dizer que todos os produtos possuem um ciclo de vida, que podemos estruturar sistematicamente. Esse ciclo de vida é composto por vários sub-sistemas conectados entre si, formando um fluxo progressivo que se inicia com a extração da matéria-prima, passando pela industrialização, uso, consumo até a disposição final. Todo esse processo do ciclo de vida é considerado um ciclo completo e, muitas vezes, nos referimos a ele como: “do berço ao túmulo”; ou quando a destinação final é a reciclagem: “do berço ao berço”.

A ACV, Análise do ciclo de vida, é um procedimento metodológico de avaliação e quantização dos impactos ambientais associados ao ciclo de vida de um produto, ou seja, consiste na compilação de um inventário de todas as entradas e saídas pertinentes a um processo, seguida pela interpretação e análise destes dados, a fim de concluir os impactos ambientais potenciais associados a estas entradas e saídas. Os impactos que devem ser considerados incluem o uso de recursos, a saúde humana e as conseqüências ecológicas, assim sendo, podemos citar poluição sonora e poluição atmosférica que geram um stress toxicológico para os trabalhadores, contaminação de recursos hídricos, contaminação do solo, esgotamento de recursos não-renováveis e etc.

A ACV irá possibilitar uma compreensão global dos possíveis impactos associados a um processo de produção de um produto, assim é mais fácil visualizar e identificar oportunidades para melhorar os aspectos ambientais de várias partes do processo de produção. A ACV também é uma ferramenta de planejamento estratégico, auxiliando a tomada de decisões na indústria, como a modernização do processo de produção, a implantação de uma nova tecnologia ou a simples definição de prioridades. A ACV também pode ir mais além, servindo para promover o produto, através de uma declaração de qualidade ambiental ou de um programa de rotulagem ecológica e estimulando a empresa a criar novos procedimentos técnicos de medição e de monitoramento dos seus próprios processos de produção.

Quando um estudo de ACV está sendo conduzido, a fase do design/planejamento do produto normalmente é excluída deste, pois assumem que sua contribuição seja insignificante. No entanto, podemos observar que as decisões tomadas nesta fase inicial irão exercer forte influência sobre a quantidade de impactos ambientais existentes nas outras fases do ciclo de vida. Ou seja, o planejamento de um produto determina fortemente o seu comportamento ambiental nos estágios a seguir. Por exemplo, o design de um automóvel (carroceria, motor, potência) irá definir como será o seu consumo de combustível e seu nível de emissão de gases durante a fase de uso e, também, exercerá uma forte influência sobre a possibilidade de aproveitamento das peças para reuso ou reciclagem. Portanto, se um dos objetivos da ACV é a melhoria do produto, o estudo deve abranger também a etapa de planejamento e design do produto, veja a figura abaixo.

Determinação e geração de impactos ambientais de acordo com a etapa do ciclo de vida de um produto.

Para que se obtenha sucesso na compreensão ambiental de produtos através da ACV é essencial que haja credibilidade técnica e que sejam seguidos os princípios e a estrutura estabelecidos na Norma NBR ISO 14040: 2001 “Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida –Princípios e estrutura.” da ABNT. Detalhes adicionais relativos aos métodos em várias fases de uma ACV podem ser encontrados nas Normas complementares: ISO 14041, ISO 14042, ISO 14043; todas da ABNT.

A ACV é apenas uma dentre as várias técnicas existentes de gestão ambiental, não necessariamente, ela é a técnica mais apropriada para um determinado tipo de situação, por exemplo, tipicamente este estudo não aborda aspectos sociais e econômicos de um produto, ou seja, assim podemos concluir que todas as técnicas possuem as suas limitações.

Entre as limitações da ACV, podemos citar:

o A precisão da ACV pode ser limitada pela falta de dados pertinentes ou pela qualidade dos dados, o estudo está sujeito à falhas humanas.
o Algumas vezes, a falta de dimensões espaciais e temporais dos dados do inventário pode gerar incertezas quanto a quantitatização do impacto.
o Os resultados de uma ACV que enfoca questões globais ou regionais podem não ser apropriados para aplicações locais, ou seja, a realidade local muitas vezes é diferente da global.
o A natureza das escolhas dos métodos, das fontes de dado, das técnicas de medição, do estabelecimento das fronteiras do sistema e, até mesmo, do objetivo do estudo, podem ser subjetivas.

outubro 9, 2008   No Comments

Gerenciamento de resíduos sólidos

A reportagem abaixo do Jornal Valor Econômico exemplifica muito bem como os resíduos sólidos possuem um valor econômico que pode ser aproveitado através do seu gerenciamento adequado.

O ponto principal para garantir este aproveitamento é separar na fonte geradora, visando que a mistura de diversos tipos de resíduos não gerem contaminação ou inviabilizem uma separação futura.

Lendo a reportagem também podemos perceber que para cada tipo de resíduo em geral existe uma possibilidade de reaproveitamento ou de reciclagem, ou seja, que a fração que realmente é rejeito é muito pequena, o que demonstra que é besteira ficar entupindo aterros sanitários com materiais que ainda possuem utilidade.

Produtividade aumenta com a gestão de resíduos

Fonte: Jornal Valor Econômico de 30/09/2008

Por Silvia Torikachvlli de São Paulo

As ações de responsabilidade ambiental desembarcaram há quase oito anos no Shopping Iguatemi de São Paulo – e vieram a reboque de providências de ordem econômica. Só na garagem da avenida Faria Lima, 6.464 lâmpadas de 40 w foram substituídas por 3.232 luminárias de 32 w, que iluminam mais e representam hoje uma diminuição de 30% na conta de luz. “A troca gerou uma redução no consumo de cerca de 38 mil kW/ano”, calcula Charles Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi. “Essa economia permitiu ainda redução de 50% na compra de lâmpadas para garagens.”
Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi: troca de vasos sanitários diminuiu em 50% o consumo de água

A economia sempre fala mais alto na hora de tomar decisões de ordem ambiental. Os vasos sanitários dos oitenta banheiros do Iguatemi foram substituídos há cinco anos: saíram os de 12 litros e entraram os de 6 litros. Para ilustrar a redução de consumo, Krell cita um dado de 1998, quando a conta mensal de água era de 8.876 m3. Em 2006, o consumo caiu para 4.838 m3/mês. “Uma queda de 50%, mesmo considerando que nesse intervalo o shopping passou por três expansões de área.”

Não há segredo nessa redução. Krell vai enumerando as providências tomadas a partir da economia conquistada com a diminuição do consumo. Armazenar a água da chuva em tanques com tratamento específico representou uma redução de 12% no consumo, diz ele. “Mas também acionamos constantemente os caça-vazamentos, construímos poços artesianos, introduzimos travas nas válvulas de descarga, torneiras economizadoras – tudo para aumentar a eficiência sem perder a qualidade.”

Mesmo sendo uma edificação com mais de 40 anos de funcionamento, o Iguatemi, segundo Krell, pode ser incluído entre os 20% de shoppings da nova geração que, justamente por terem sido construídos de acordo com as novas normas ambientais, ostentam sofisticadas modelos de gestão de resíduos. Em 2007, segundo Krell, a rede Iguatemi encaminhou para a reciclagem 1.805 toneladas de materiais como papelão, metal, papel, plástico, vidro e óleo de cozinha.

Encaminhar para a reciclagem não basta. Fundamental mesmo é acompanhar a trilha do descarte de todos os resíduos. O shopping Dom Pedro, construído em 2002, em Campinas (SP), pela rede Sonae Sierra, é modelo de gestão ambiental, segundo a coordenadora Elizabeth Morita. As providências começaram antes mesmo da construção. As árvores retiradas da área para dar lugar ao empreendimento foram transportadas para o Parque Ribeirão das Pedras. O espaço, até então deteriorado e abandonado, recebeu 35 mil mudas de árvores nativas. Nessas ações, Campinas ganhou um shopping e uma área de lazer renovada. “Essa experiência deu tão certo que vamos replicar no empreendimento do grupo em Goiânia”, diz Elizabeth.

O acompanhamento da trilha do descarte de resíduos das 360 lojas do shopping Dom Pedro, por onde circulam cerca de 1,8 milhão de consumidores por mês, mereceu o ISO 14001, que estabelece diretrizes básicas para o gerenciamento da questão ambiental. “Nossa reciclagem fica entre os 65% e 70%, o que nos garantiu o segundo lugar na pesquisa que abrange um universo de 140 shoppings no mundo inteiro.”

A gestão dos resíduos é acompanhada de perto no Dom Pedro – “o que significa que cada descarte tem relatório do parceiro que recolhe e auditoria que confere a destinação e utilização final”, diz Elizabeth. No caso das 20 toneladas de cascas de cítricos e borra de café, a empresa que faz a gestão de resíduos direciona tudo para a compostagem numa fazenda do interior, que vende o produto obtido para empresas de paisagismo e jardinagem. As sobras de alimentos, cerca de 65 toneladas/mês, são encaminhadas para beneficiamento e, posteriormente, transformadas em ração animal.

Para que essas etapas todas funcionem em sintonia, os lojistas recebem treinamentos e os próprios consumidores são informados sobre como podem participar. As embalagens de papelão ondulado, que costumam voltar à fábrica em forma de reciclável, estão na mira de exclusão. A administração do Dom Pedro incentiva os lojistas a trocar as caixas de papelão por embalagens vai-e-volta de plástico. O Dom Pedro, enfim, não pára de inventar. A nova estação de tratamento de efluentes vem representando uma reutilização de 35% da água consumida, que bate nos 20 mil m3 por mês. “Os sanitários e a rega dos jardins são abastecidos com água de reúso”, diz Elizabeth.

No Rio de Janeiro, o NorteShopping está em operação há 21 anos, com 350 lojas que atraem cerca de 2,5 milhões de pessoas/mês. As primeiras ações ambientais começaram em 1998, segundo Maria Fernanda De Paoli, gerente de marketing do empreendimento. E começaram pela reciclagem do lixo. De duas a três vezes ao dia os coletores percorrem as lojas onde já existe uma separação prévia de resíduos. O resultado das coletas vai para diferentes empresas especializadas em reciclagem. “Temos relatórios mensais das empresas terceirizadas que nos garantem que cada descarte é feito de forma apropriada”, diz Maria Fernanda.

Por sugestão dos donos de restaurantes, a coleta de óleo de cozinha foi incluída como modalidade de descarte no NorteShopping. “A cada dia vamos agregando novas formas de gerenciar os resíduos”, diz Maria Fernanda. A água de chuva já é 100% tratada e utilizada na alimentação do chafariz do shopping. A reutilização da água de esgoto também foi providência adotada recentemente. Uma estação de tratamento capta os efluentes e trata o material, que é reutilizado no sistema de ar condicionado. “Essa medida representa uma economia de 250 mil caixas d´água”, calcula Maria Fernanda. “É quantidade suficiente para abastecer um edifício de 24 apartamentos com três pessoas em cada unidade.”

A usina de co-geração de energia do NorteShopping, que antes funcionava a diesel, agora é movida a gás natural. O processo está em andamento há cerca de seis anos e representa a cada ano uma economia de 30% de energia elétrica e 40% no consumo de água. “Estamos deixando de gastar dinheiro à toa”, comemora Maria Fernanda. “Com processos ecologicamente corretos reduzimos custos e alcançamos maior produtividade.”

Para que os clientes sejam informados das ações de forma que façam parte dessa grande ciranda, Maria Fernanda providenciou adesivos para cada uma das mesas da praça de alimentação. Ali, todo consumidor fica sabendo como e onde descartar seu próprio lixo. “Ele se transforma num elo dessa cadeia ao ser informado, por exemplo, que 60% dos copos utilizados, ou mais de 670 kg de plástico, foram transformados em outros produtos graças à colaboração dele”, diz Maria Fernanda. “É raro algum consumidor resistir a esse apelo.” (S.T.)

outubro 1, 2008   No Comments