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Controle Ambiental

Caracterização dos esgotos domésticos

Serão apresentadas as principais características dos esgotos domésticos de modo que se possa estimar o impacto de tais efluentes líquidos teriam, se lançados sem tratamento  nos corpos receptores.
No Estado de São Paulo tem-se utilizados para os esgotos domésticos os seguintes dados médios:
– vazão…………………………………….180L/hab/dia
– DBO5……………………………………300 mg/L
– DBO5 (contribuição diária)……….54g/hab/dia
– Sólidos não filtráveis………………..300 mg/L
A Tabela 1.1.2 (a) apresenta faixas de valores normalmente encontrados para esgotos domésticos típicos, devidos a cada habitante.
Tabela 1.1.2(a) – Características dos esgotos domésticos contribuições unitárias.

Parâmetro Faixa de valores (g/hab/dia)
DBO5 45 – 54
DQO (1,6 – 2,5) DBO5
Sólidos totais 170 – 220
Sólidos não filtráveis 70 – 145
Sólidos filtráveis 50 – 150
Areia (0,2mm) 5 – 15
Substâncias solúveis em hexana 10 – 30
Cloretos 4 – 8
Nitrogênio total, como N 5 – 12
Nitrogênio orgânico (0,4) N total
Nitrogênio amoniacal (0,7) N total
Fósforo total, como P 0,8 – 4
Fósforo orgânico (0,3) P total
Fósforo inorgânico (orto e polifosfato) (0,7) P total
Microorganismos presentes (por 100 mL)
Total de bactérias 109 – 1010
Coliformes fecais 106 – 109
Streptococos fecais 105 – 106
Salmonella Typhosa 10 – 104
Cistos de protozoários 103
Ovos de helmintos 103
Vírus 102 – 104
Vazão 80 – 300 (L/hab/dia)

Cerca de 70% dos sólidos no esgoto médio são de origem orgânica constituídos principalmente por:
– compostos de proteínas (40 a 60%);
– carboidratos ( 25 a 50%);
– gordura e óleos (10%)
– uréia, surfatans, fenóis, pesticidas (em menor quantidade), etc.
As proteínas são produtoras de nitrogênio, e contêm carbono, hidrogênio, oxigênio, algumas vezes fósforo, enxofre e ferro. As proteínas são o principal constituinte de organismo animal, mas ocorrem também em plantas. O gás sulfídrico presente nos esgotos é também proveniente do enxofre fornecido pelas proteínas.
O nitrogênio presente no esgoto fresco está quase todo combinado sob forma de proteína e uréia; as bactérias no seu trabalho de oxidação biológica transformam o nitrogênio presente primeiramente em amônia, depois em nitritos e depois em nitratos. A concentração com que o nitrogênio aparece sob estas várias formas indica a idade do esgoto e/ou sua estabilidade em relação à demanda de oxigênio.
Os nitritos são muito instáveis no esgoto e se oxidam facilmente para a forma de nitratos; sua presença indica uma poluição já antiga, e raramente excede 1,0 mg/L no esgoto ou 0,1mg/L nas águas de superfície.
Os carboidratos contêm carbono, hidrogênio e oxigênio. São as primeiras substâncias a serem destruídas pelas bactérias, com  produção de ácidos orgânicos (por esta razão os esgotos velhos apresentam maior acidez). São exemplos de carboidratos: açúcares, amido, celulose e a fibra de madeira.
 Gordura é um  termo que normalmente é usado para referir à matéria graxa, aos óleos, e às substâncias semelhantes encontradas no esgoto. A gordura está sempre presente no esgoto doméstico proveniente do uso de manteiga, óleos vegetais, em cozinha, da carne, etc. Por estar também sob a forma de óleos minerais derivados de petróleo (querosene, óleo lubrificante), neste caso sua presença é altamente indesejável, pois geralmente são contribuições não permitidas ( de garagens, postos de gasolina, indústrias) que chegam às canalizações em grande volume, aderem às paredes das canalizações e provocam seu entupimento.
As gorduras e muito particularmente os óleos minerais, não são desejáveis nas unidades de transporte e de tratamento dos esgotos: aderem às paredes, produzindo odores desagradáveis, além de diminuir as seções úteis; formam “escuma”, uma camada de matéria flutuante, nos decantadores, que poderá vir a entupir os filtros; interferem e inibem a vida biológica; trazem problemas de manutenção. Em vista disso, se costuma limitar o teor de gordura nos efluentes.
Os  surfatans são constituídos por moléculas orgânicas com propriedades de formar espuma no corpo receptor ou na estação de tratamento em que o esgoto é lançado. Tendem a se agregar à interface ar-água, a nas unidades de aeração aderem à superfície das bolhas de ar, formando uma espuma muito estável e difícil de ser quebrada.
O tipo mais comum é o chamado ABS (alquil-benzeno-sulfonato), típico dos detergentes sintéticos, e que apresenta resistência à ação biológica; este tipo de surfatan teve seu uso proibido nos Esatdos Unidos em 1965, sendo substituído pelos do tipo LAS (alquil-sulfonato-linear) que é biodegradável.
Os fenóis são compostos orgânicos, originados em despejos industriais, principalmente, e que têm a propriedade de causar, ainda que em baixa concentração, gosto característico à água (em especial à água clorada).
Os pesticidas e demais compostos orgânicos são utilizados, principalmente, na agricultura, e, como tal, não costumam chegar às galerias urbanas de esgoto, mas aos rios e corpos receptores, sendo, no entanto, uma fonte de poluição e de toxidez à vida aquática.

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Avaliação de Impactos Ambientais Recursos Hídricos

Sistemas de coleta e remoção dos resíduos líquidos

Estes sistemas têm a função de coletar e transportar os resíduos líquidos para locais adequados e previamente determinados, que constituem o seu destino final.
Os resíduos líquidos ou esgotos sanitários segundo a NORMA NBR 9648  (ABNT 1986) são definidos como:
“Esgoto sanitário é o despejo líquido constituído de esgoto doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição parasitária”.
– esgoto doméstico: é o despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidade fisiológicas humanas.
– esgoto industrial é o despejo líquido resultante dos processos industriais, respeitados os padrões de lançamento.
– água de infiltração é toda água proveniente do subsolo, indesejável ao sistema separador e que penetra nas canalizações.
– contribuição parasitária é a parcela do deflúvio superficial inevitavelmente absorvida pela rede de esgoto sanitário.
Exemplo de contribuição parasitária: penetração direta nos tampões de poços de visita, ou outras eventuais aberturas, ou ainda pelas áreas internas das edificações e escoam para a rede coletora, ocorrendo por ocasião das chuvas mais intensas com expressivo escoamento superficial.
A coleta e o movimento da drenagem superficial de águas pluviais, esgotos sanitários e despejos industriais exige a solução de problemas de natureza diferente dos existentes no sistema de abastecimento de água.
Os esgotos domésticos, por exemplo, que se constituem das águas servidas provenientes da utilização da água potável em zonas residenciais e comerciais, devem ser coletados e removidos para suas áreas de disposição final ou tratamento o mais rápido possível, a fim de se possa evitar o desenvolvimento de suas condições sépticas. As suas vazões de escoamento são muito variáveis e eles apresentam sólidos grosseiros que podem se encontrar flutuando ou em suspensão.
Os despejos industriais são constituídos pelas águas servidas provenientes das indústrias que podem, em muitos casos, apresentar produtos químicos que impossibilitam a sua coleta no mesmo sistema empregado para os aspectos sanitários.
As águas de infiltração são originadas das águas subterrâneas, que inevitavelmente penetram nas canalizações de transporte, em virtude da falta de estanqueidade de suas juntas.
As águas pluviais são constituídas pelo deflúvio ou escoamento superficial das águas de chuvas que não se infiltram no solo ou se evaporam superficialmente. Estas águas se caracterizam principalmente por apresentarem vazões de escoamento excessivamente variáveis durante o período de precipitação pluvial.
Assim, os sistemas de coleta e remoção de resíduos líquidos podem ser classificados de acordo com a composição ou espécies das águas a esgotar, tomando designações especiais.
A primeira classificação abrange os sistemas de esgotos sanitários, os de drenagem urbana das águas pluviais e aqueles que se encarregam de transportar isoladamente, quando necessário, os despejos industriais para o destino final, ou áreas de tratamento específicas.
A segunda classificação envolve o aspecto em que se encontram os resíduos líquidos quanto a sua separação ou reunião. Ela abrange o sistema unitário francês  ou “tout à l’égout” que promove o transporte conjunto dos esgotos sanitários e águas pluviais, hoje em dia considerado obsoleto, e os sistemas separadores absolutos de esgotos sanitários e de drenagem urbana de águas pluviais que conduzem respectiva e separadamente os esgotos sanitários e as águas pluviais.
Todos estes sistemas são constituídos de canalizações enterradas, geralmente assentadas com declividades suficientes para o escoamento livre por gravidade.