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Mudanças Climáticas Neutralização de carbono

Feira Industrial adota Projeto de neutralização de carbono

A Expo-MS 2010 vai adotar uma postura inédita nesta edição.  Todo o carbono emitido na atmosfera durante o evento será  neutralizado com o plantio de árvores.
Segundo o presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen, uma equipe ficará responsável por diagnosticar os resíduos sólidos e liquídos de cada indústria. “A partir deste levantamento, serão incrementadas ações para que as empresas obtenham o selo verde de emissão zero de carbono”,informou.
O projeto de gestão ambiental, a ser lançado pela Fiems, também prevê a contratação de uma empresa para calcular a emissão de gás carbônico (CO2), levando em consideração o fluxo de pessoas presentes  no local, energia elétrica consumida, quantidade de dias do evento, veículos presentes, entre outros.
Ao final da feira, a partir do índice de emissão do gás carbônico emitido durante o evento, será calculada a quantidade de árvores necessárias para a compensação, a serem plantadas posteriormente.
O evento acontece neste ano entre os dias 18 e 22 de maio, no Centro de Convenções Albano Franco, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul).
Por Bárbara Ferragini – Com informações do jornal Correio do Estado

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Controle Ambiental Tecnologias Ambientais

Energia a partir do metano de ETEs

A reportagem abaixo demonstra o potencial de geração de energia através dos metanos das Estações de Tratamento de Esgoto e dos aterros sanitários. Lembrando que este tipo de utilização desses gases, além de gerar o benefício econômico da energia, também pode gerar créditos de carbono.
O que comprova mais uma vez que é importante aproveitar o potencial econômico dos resíduos sólidos, das emissões gasosas e dos efluentes liquídos, no entanto sempre garantindo que sejam utilizadas as tecnologias adequadas para evitar possíveis danos ambientais deste processo.

Metano vai virar energia no Paraná

Fonte: Jornal Valor Econômico de 26/09/2008
Miriam Karam, para o Valor, de Curitiba

Se tudo der certo, em pouco tempo toda a energia usada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para captar e processar esgoto será produzida pela própria empresa.

Na Estação Ouro Verde, em Foz do Iguaçu, a empresa testa um sistema para transformar gás metano em energia e já provou que, com isso, evita o lançamento de 13 toneladas de gás metano por ano na atmosfera. E serão oito mil toneladas ao ano quando o projeto estiver concluído e todo o metano gerado nas estações de tratamento for convertido em energia elétrica .

O metano, subproduto do tratamento de esgoto pelo processo anaeróbio, é um dos gases que mais contribuem para o aquecimento global. É vinte e uma vezes mais prejudicial que o CO2. Hoje, a maior parte desse gás é queimada nas estações de tratamento e o resíduo lançado na atmosfera.

Na Ouro Verde são produzidos 1,5 mil kW/h por mês de energia, o suficiente para abastecer cinco residências durante um mês, segundo a diretora de meio ambiente e ação social da Sanepar, Maria Arlete Rosa.

Quando o sistema for implantado nas 199 estações de tratamento de esgoto (ETEs) que a Sanepar opera, terá capacidade para gerar 200 kW/mês de energia, bem mais que os 80 kW/mês que a empresa consome. A energia excedente poderá ser vendida para a Companhia Paranaense de Energia (Copel).

A transformação do gás metano em energia faz parte de um amplo programa da Sanepar de busca por energias renováveis, o que torna a estatal pioneira no setor no país. O interesse na pesquisa é porque a energia responde por 11% do custo total do processo de funcionamento da empresa, que é a maior cliente da Copel.

O uso da energia elétrica gerada pelo processo de tratamento de esgoto poderá, no futuro, gerar economia de mais de R$ 3 milhões por ano para a empresa.

Maria Arlete destaca que essa política energética traz benefícios de várias fontes. Ao incentivar a produção de energias renováveis, o trabalho anda na direção de diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, faz a reciclagem de passivo ambiental e reduz consideravelmente custos operacionais.

E tudo resulta num ganho concreto ainda maior. Funcionando a partir dos próprios resíduos para produzir energia, a Sanepar faz planos para entrar no cobiçado mercado de créditos de carbono. Os estudos para isto, diz Maria Arlete, estão em fase final.

A busca por energias renováveis, na Sanepar, começou, na verdade, em 1988, com o lançamento de um programa interdisciplinar de pesquisa, do qual participaram mais de cem pesquisadores de diversas instituições de pesquisa do Paraná.

Os estudos resultaram na produção de pelo menos duzentos artigos científicos e livros técnicos e foram decisivos para a definição dos critérios adotados pela legislação que orienta o uso agrícola de lodo de esgoto, programa ganhador dos prêmios FINEP de Inovação Tecnológica de 1988 e 2007.

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Tecnologias Ambientais

Leilão de créditos de carbono em SP

Seguindo a linha dos últimos posts sobre o Protocolo de Kyoto e créditos de carbono, coloquei a reportagem abaixo para demonstrar como o mercado de títulos de redução certificada de emissão (RCE) ou créditos de carbono está crescendo e ampliando o seu potencial de ganhos econômicos. Estes créditos de carbono leiloados pela Prefeitura de São Paulo são resultado dos seus projetos de captação de gás metano dos aterros sanitários para simples queima, em alguns casos, e em outros para geração de energia.

Leilão de carbono tem ágio em SP

Fonte: Jornal Valor Econômico 26/09/2008
Agência Brasil, de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo obteve ágio de 35,2% no leilão de crédito de carbono realizado ontem. Os 713 mil títulos de Redução Certificada de Emissão (RCE) foram ofertados ao preço mínimo de US$ 14,2 por tonelada, valor que subiu durante o pregão para US$ 19,2, o que gerou o pagamento de US$ 13,689 milhões (R$ 37 milhões)

Das dez instituições que participaram do leilão, oito apresentaram ofertas. O lote único foi arrematado pela empresa de energia suíça Mercuria Energy Trading. A secretária-adjunta de Governo do município, Stela Stein, explicou que o total arrecadado será destinado a projetos nas áreas social e de meio ambiente das comunidades próximas aos aterros sanitários Bandeirantes (zona norte) e São João (zona leste), de onde foram originados os títulos.

É a segunda vez que a prefeitura negocia créditos de carbono no mercado. A diferença em comparação ao ano passado foi a valorização dos títulos. Na venda anterior, a tonelada estava cotada a US$ 16,2, e agora saiu por US$ 19,2.

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Controle Ambiental

Mecanismos de Flexibilidade do Protocolo de Kyoto

O Protocolo de Kyoto estabelece 3 “mecanismos de flexibilidade” que permitem aos países do Anexo I cumprir com as exigências de redução de emissões, fora de seus territórios.
Esses mecanismos são para ajudar esses países a atingirem suas metas de redução.

Dois desses mecanismos são somente para países do Anexo I: a Implementação Conjunta (Joint Implemention) e o Comércio de Emissões (Emission Trading); o terceiro, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL (Clean Development Mechanism), permite atividades entre países do Anexo I e do Anexo II, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento sustentável.


Implementação Conjunta

Mecanismo onde os países do Anexo I podem agir em conjunto para atingir suas metas.
Assim, se um país não vai conseguir reduzir o suficiente, mas o outro vai, eles podem firmar um acordo para se ajudar.Assim, como no MDL, na Implementação Conjunta os países que precisam de ajuda para atingir suas metas também tem que pagar por projetos de redução de emissões em outros países. A diferença básica é que neste mecanismo isso só pode acontecer entre nações industrializadas do anexo I). Na prática, isso significa mais investimentos da Europa no Leste Europeu e na antiga União Soviética, países ainda com economias em transição.

Comércio de Emissões ou Mercado de créditos de carbono

Países do Anexo I que tiverem limites de emissões sobrando (emissões permitidas, mas não usadas), podem vender esse excesso para outras nações do Anexo I que estão emitindo acima dos limites.
Os limites de gases estufa (bases) do Protocolo são uma maneira de atribuir um valor monetário a atmosfera terrestre. Cada tonelada de carbono emitido ou seqüestrado agora tem valor em Euros e em Dólar. O Comércio de Emissões recebeu o apelido de “Mercado de Carbono, porque o CO2 é o principal gás estufa, em termos de produção mundial, e também porque as emissões dos outros gases estufa serão registradas e contatadas em termos de seus “equivalentes de CO2”, ou seja, créditos de carbono.

Uma das principais corretoras para o Comércio de emissões é a European Climate Exchange: http://www.europeanclimateexchange.com/

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL

Os projetos de MDL são ações que colaboram para o desenvolvimento sustentável por terem potencial de seqüestrar Gases estufa ou por reduzirem a sua emissão.

Esses projetos podem ser de redução de emissões, como os projetos de reflorestamento e florestamento (seqüestro de carbono), uso do biogás de aterros sanitários e etc. Ou projetos que evitam as emissões, como os projetos de energia renovável, por exemplo, construir uma hidrelétrica ao invés de uma termoelétrica.

A principal diferença entre o MDL e o comércio de emissões é que neste último as empresas não precisam fazer projetos: “A empresa mensura quanto emitiu, vê qual é a meta e pode comprar ou vender, dependendo desse resultado. Se ela for muito eficiente e reduzir mais do que o esperado, pode vender essa sobra como crédito para empresas que não conseguiram ficar na meta”, explica Guilherme Fagundes, da BM&F.

Outra observação interessante sobre estes mecanismos de flexibilidade é que o mecanismo de MDL e os créditos de Carbono receberam tanto apoio mundial, que foram implementados antes mesmo que o Protocolo de Kyoto entrasse em vigor, em 2005.

O que são Créditos de Carbono?

Quando uma empresa reduz suas emissões ou organiza projetos que seqüestram o carbono da atmosfera, ela obtém os chamados créditos de carbono, ou seja, ela recebe o valor que expressa essa redução das emissões, medido em toneladas de gás carbônico por um período de tempo, normalmente em anos.

Créditos de carbono são certificados que países em desenvolvimento (como Brasil, a China e a Índia) podem emitir para cada tonelada de gases do efeito estufa que deixem de ser emitida ou que sejam retiradas da atmosfera. 

Os Créditos de Carbono também são chamados de Reduções Certificadas de Emissões (CERs).

Os Créditos de Carbono podem ser comercializados com países industrializados (pertences ao Anexo 1 da conferência) que não conseguem ou não desejam reduzir as suas emissões internamente.
Estes países compram o direito de poluir, investindo em nações em desenvolvimento, que deixaram de poluir aquele mesmo tanto.

Os Créditos de Carbono funcionam como um mecanismo de compensação de poluição, eu continuo poluindo aqui, mas compro os créditos de você, que está seqüestrando carbono aí.
Ao comprarem os créditos, as empresas ajudam seus países a atingir o objetivo, ou seja, podem computar essa compra como se fosse redução feita por eles próprios.

Quem faz a validação desse processo é o Conselho Executivo do MDL, entidade da ONU.

Princípio da Adicionalidade Ambiental

Para que um projeto possa ser certificado como MDL, ele precisa atender ao critério da adicionalidade ambiental expresso no item 5, Artigo 12 do Protocolo.

Este artigo requer que as reduções na emissão de gases estufa sejam adicionais àquelas que ocorreriam na ausência de atividades do projeto certificado e também, que elas sejam reais, mensuráveis e proporcionem benefícios a longo prazo para a mitigação das mudanças climáticas.

Ou seja, é preciso mostrar a situação de emissão de gases estufa sem o projeto de MDL, e com ele, mostrar o balanço de Carbono, para provar que se o projeto não for implementado, tais emissões serão maiores.

Assim temos o conceito de Linha Base que é o total de emissões que teríamos sem um projeto de MDL. O tanto de carbono que será seqüestrado, ou o tanto de emissões que será reduzido é a adicionalidade do projeto que dará a quantidade de Créditos de carbono que aquele MDL pode gerar.