Categorias
Desenvolvimento Sustentável

Poema sobre o impacto das ações antrópicas na natureza e sobre o próprio homem

ELES SABEM, E EU TAMBÉM SEI
(Professora Sônia Hess, UFMS)

Que, pelas ruas, gritantes sirenes transportam, dia e noite, os frutos da crescente dor.

Que em cada copo de água bebe-se uma boa dose de veneno, porque as fontes não mais são puras, e o cloro nela aplicado também gera subprodutos perigosos.

Que em cada porção de alimento ingere-se resíduos dos agrotóxicos, aplicados como “salvadores da lavoura”; ou de anabolizantes, que fazem os animais “bombarem”; ou de aditivos, que transformam resíduos de processos industriais, em “saborosas iguarias”; ou ainda, de misteriosos componentes das embalagens, capazes de transformar “meninos em doces meninas”.

Que, para produzir aço, derrubam florestas que poderiam salvar os rios, o clima e o que resta de beleza.

Que em cada inalação, a saúde é aviltada por gases tóxicos, que matam silenciosamente os habitantes das grandes cidades, ou os desafortunados cortadores de cana, os carvoeiros e aqueles que conhecem de perto as queimadas.

Que só há dinheiro para pesquisar a cura das doenças mas, não, para evitá-las, porque quem produz os remédios também é quem produz a maior parte dos venenos que desencadeiam o fim da saúde.

Se eu sei de tudo isto, mais gente tem que saber, porque a ciência não foi criada para se calar, mas para iluminar os caminhos e trazer respostas que levem à paz.