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Planejamento ambiental é estratégico para negócios

Reportagem publicada no Jornal Valor Econômico de 30/06/2008. Texto essencial para empreendedores que querem entender mais sobre os aspectos ambientais que devem ser considerados na hora de iniciar um negócio.


Planejamento ambiental é estratégico para negócios
por Ediane Tiago.

Montar um negócio ecoeficiente exige planejamento e disciplina na hora de definir os meios de produção, avaliar o local para a atividade, definir a matéria-prima e os processos para evitar desperdício em todo o ciclo produtivo. “O planejamento estratégico ambiental faz parte do negócio. A lei nacional do meio ambiente deve ser lida e consultada. Estes são os primeiros passos para garantir que uma empresa estabeleça meios de produção sustentáveis”, alerta Eduardo Trani, professor de educação ambiental da Faculdade Senac.

Segundo ele, o planejamento estratégico ambiental é questão que deve ser considerada nas políticas públicas, nos planos de governo e de negócios das companhias. “É responsabilidade de todos. As entidades têm de estar engajadas e compartilhar objetivos, seguindo as normas”, defende.

Para não correr riscos de ver o negócio embargado pelos órgãos de fiscalização, pagar multas ou investir novamente em equipamentos condizentes com a atividade, é aconselhável pesquisar sobre o setor e as soluções disponíveis para minimizar impactos ambientais em cada linha de produção. “O empresário deve buscar entidades de classe como o Sebrae ou a Federação das Indústrias para tirar suas dúvidas e obter assessoria”, afirma Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Instituto Brasil PNUMA).

Vale lembrar que o licenciamento ambiental é obrigatório por lei para atividades industriais em todo o país e sãos as determinações existentes em cada Estado e em cada município que regulamentam as atividades e os cuidados ambientais. “É necessário ler as legislações de meio ambiente e de uso de solo existentes no Estado e no município”, esclarece Mauro Kazuo Sato, gerente do departamento de planejamento de ações de controle, informações e análises ambientais da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), autarquia ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Esse primeiro passo parece difícil, mas pode ser uma saída simples para evitar problemas, reduzir custos e iniciar um negócio com o pé na sustentabilidade. “Quando o empresário está preparado e informado sobre técnicas de produção mais limpa, verifica suas necessidades reais e começa da forma certa, sem perder dinheiro e tempo, recebe sua licença ambiental rapidamente”, avalia Kazuo.

Dicas de Planejamento ambiental

Dicas de Planejamento ambiental

Trani esclarece que a palavra planejamento pode assustar. Mas é este passo que ajudará o empresário a tomar atitudes simples e que podem fazer toda a diferença. “Nem sempre soluções de alta tecnologia são identificadas nesta etapa. Na maioria dos casos, ações simples como verificar instalação elétrica e ajustes em máquinas para evitar desperdício de matéria-prima tornam o processo mais eficiente do ponto de vista ambiental”, comenta.

Maria Cristina Gomes Sanches, especialista da coordenação de inovação ambiental do Instituto do Meio Ambiente do Estado da Bahia, afirma que é preciso desmistificar a questão da gestão ambiental. “O empresário não tem informação sobre o tema e acha que tudo é custo. Mas as técnicas de produção mais limpa, além de ajudarem o meio ambiente, resultam em economia na produção.”

Segundo ela, a ecoeficiência começa na mudança de comportamento e na aquisição de consciência ambiental. Para negócios já estabelecidos, o programa pode começar com o aproveitamento de papel (imprimindo documentos nos dois lados), com o uso de material de escritório fabricado com matéria-prima reciclada, na educação dos funcionários para planejar melhor as compras de insumos e em iniciativas para a redução de consumo de água e energia. “As pequenas empresas se queixam da falta de verba. Mas muitas ações são feitas sem desembolso”, comenta a especialista.

Sato, da Cetesb, chama a atenção para a leitura de cartilhas sobre produção mais limpa, que estão disponíveis nos sites dos órgãos ambientais, como no da própria Cetesb, e em publicações e sites de entidades como o Sebrae. “Antes de solicitar o licenciamento, a empresa deve tirar suas dúvidas e verificar sua infra-estrutura”, assegura.

Para as pequenas e médias empresas, a Cetesb oferece um serviço eletrônico para a solicitação do licenciamento. Por meio dele, é possível fazer uma lista de verificação do empreendimento e testar como anda a ecoeficiência da empresa. Em uma espécie de memorial, o empresário insere informações sobre a matéria-prima utilizada, produtos fabricados, equipamentos utilizados e detalha o processo produtivo, destacando as fontes de água e os pontos de geração de efluentes líquidos ou sólidos. “Esta lista possibilita a avaliação do local e do processo produtivo, com foco na redução do desperdício e no tratamento dos efluentes”, comenta Sato.

De acordo com o gerente, nesta hora, a empresa pode despertar para iniciativas como o tratamento de seus efluentes e reaproveitamento de água, iniciando um programa de gestão ambiental que trará mais eficiência na produção. “É importante aprender com iniciativas de sucesso. O empresário deve observar como outras empresas do seu segmento tratam questões ambientais e se adequar às melhores práticas para ser competitiva”, aconselha.

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1 comentário

1 André D' Isep { 09.25.08 at 14:34 }

Olá sou Administrador e Técnico em Segurança do Trabalho, tenho um amigo que é Advogado e gostariamos de montar um Escritório de Assessoria em Direito e Gestão Ambiental o que é necessario para começar ?

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