Métodos de Valoração Ambiental para Resíduos Sólidos

Assim como existem diversas maneiras de valoração ambiental, o mesmo ocorre com as metodologias para a valoração dos resíduos. Então buscou-se citar aqui alguns modelos de valoração ambiental freqüentemente utilizados (Logística reversa, Duston (1993), e Calderoni (2003).

Devido à crescente preocupação ecológica dos consumidores, às novas legislações ambientais, e os novos padrões de competitividade de serviços ao cliente e às preocupações com a imagem corporativa, tem havido incentivo cada vez maior à criação de canais reversos de distribuição, que solucionem o problema da quantidade de produtos descartados no meio ambiente (LACERDA, 2003). Neste sentido, a metodologia da “logística de fluxos de retorno”, ou “logística reversa”, visa à eficiente execução da recuperação de produtos. Tem como propósitos a redução, a disposição e o gerenciamento de resíduos tóxicos e não tóxicos (GOMES & RIBEIRO, 2004).

De acordo com Bowersox & Closs (2001), as necessidades da logística reversa também decorrem do crescente número de leis que proíbem o descarte indiscriminado e incentivam a reciclagem de recipientes de bebidas e materiais de embalagem. O aspecto mais significativo da logística reversa é a necessidade de um máximo controle quando existe uma possível responsabilidade por danos à saúde (por exemplo, um produto contaminado). Nesse sentido, um programa de retirada do mercado é semelhante a uma estratégia de serviço máximo ao cliente, que deve ser executado independentemente do custo.

Pode-se, então, definir a logística reversa, conforme Rogers & Tibben-Lembke (1999), como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processamento e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado.

O processo de logística reversa, segundo Leite (2003), apresenta três pontos de vista: logístico, financeiro e ambiental:

  1. Logístico: onde o ciclo de vida de um produto não se encerra com a sua entrega ao cliente. Produtos que se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam devem retornar ao seu ponto de origem, para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados;
  2. Financeiro: existe o custo relacionado ao gerenciamento do fluxo reverso, que se soma aos custos de compra de matéria-prima, de armazenagem, transporte e estocagem e de produção já tradicionalmente considerados na logística;
  3. Ambiental: devem ser considerados, e avaliados, os impactos do produto sobre o meio ambiente durante toda sua vida útil. Este tipo de visão sistêmica é importante para que o planejamento da rede logística envolva todas as etapas do ciclo de vida do produto.

Outro método de valoração aplicável foi proposto por Duston (1993), o qual obtém a viabilidade econômica da reciclagem a partir da subtração do valor alcançado com a venda dos materiais, do valor da coleta/separação de tais materiais (coleta seletiva). Esta metodologia reflete apenas os valores diretos gerados para o empreendimento que vende seus resíduos através da equação:

G = V – C (1)

Onde: G = Ganho com a reciclagem;
V = Venda dos materiais recicláveis;
C = Custo do processo de reciclagem.

Já Sabetai Calderoni (2003) propõe uma fórmula mais complexa pois, em sua proposta, inclui a valoração não só dos ganhos para a indústria mas, também, dos ganhos para a sociedade, poder público e meio ambiente. Esta metodologia vem sendo aplicada para valorar ganhos ou perdas relacionadas com resíduos sólidos comuns. A utilização dessa metodologia para resíduos industriais, como por exemplo, resíduos perigosos, ainda não foi aplicada.

O modelo proposto por Calderoni (2003) é:
G = (Vc – Vp) – C + E + W + M + H + A + D (2)

Onde: G = Ganho com a reciclagem;
Vc = Ganho com a venda dos materiais recicláveis;
Vp = Gasto com aquisição dos materiais
C = Custo do processo de reciclagem;
E = Custo evitado de disposição final
W = Ganhos decorrentes da economia no consumo de energia (Wh);
M = Ganhos decorrentes da economia de matérias primas;
H = Ganhos decorrentes da economia de recursos hídricos;
A = Ganhos com a economia de controle ambiental;
D = Demais ganhos econômicos (divisas, subsídios, vida útil do equipamento, etc).
O termo (Vc –Vp) dessa equação se refere ao valor da venda do matéria para reciclagem, Calderoni (2003) explica que o V com sinal positivo se aplica para o ponte de vista de quem vende, e o V com sinal negativo é o custo pra quem compra o material.

O item C refere-se ao custo que essa reciclagem pode gerar, que é o custo do transporte, e/ou armazenamento, e/ou de enfardamento quando necessário, e qualquer outra forma de beneficiamento que se faça necessária para a reciclagem, estão incluídos também custos administrativos.

O termo E é o custo evitado de disposição final, abrangendo: o aterro ou a incineração, o transporte e o transbordo e, eventualmente, a disposição em locais inadequados como rios, terrenos públicos ou particulares. Nos custos de Aterros e incineradores deverão ser considerados tanto os custos de implantação, como os de operação e manutenção, o mesmo aplicando-se à frota de veículos utilizada.

O ganho em termos de economia de energia elétrica é representado por W na equação e deve-se ao fato que a produção a partir de materiais reciclados requer um consumo menor de energia, do que a produção a partir da matéria-prima vigem. Tais ganhos são de: 95% no caso do alumínio; 78,7% no caso do plástico; 71% no caso do papel; 74 % no caso do aço e 13% no caso do vidro (CALDERONI, 2003).

Os ganhos decorrentes da economia de matérias-primas (M), como bauxita, barrilha e resinas termoplásticas, advém do fato de que estas já estão contidas nos materiais recicláveis.

A economia de água (H) no processo produtivo deve-se a fato de que a produção a partir de recicláveis requer menos água do que a produção a partir de matérias-primas virgens.

Verificam-se, também outros ganhos econômicos decorrentes da reciclagem (D), tais como o alongamento da vida útil dos equipamentos (CALDERONI, 2003).

FONTE: ESTUDO DA VIABILIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE BOLSA DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS NO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE – MS – Daniel de Castro Jorge Silva – Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao Curso de Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – 2008

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