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ESTUDO DA EUTROFIZAÇÃO ATRAVÉS DE ÍNDICES DE ESTADO TRÓFICO

A eutrofização é um processo natural, que vem sendo induzido de modo acelerado por atividades antropogênicas, podendo ser definida como o processo de enriquecimento por nutrientes de um corpo d’água, ocasionando o excessivo crescimento de macrófitas aquáticas e/ou algas (Esteves, 1998). Os nutrientes majoritariamente responsáveis pela eutrofização são o fósforo e o nitrogênio e as suas principais fontes constituem em: dissolução de compostos do solo, decomposição da matéria orgânica, esgotos domésticos e industriais, fertilizantes, detergentes e excrementos animais (Braga et al., 1998).
Nogueira (1991), Sperling (2005) e Esteves (1998) discutiram os seguintes problemas associados com eutrofização, devido ao crescimento exagerado de plantas (algas e/ou macrófitas): Problemas estéticos e recreacionais; condições anaeróbias no fundo do corpo d´água; eventuais condições anaeróbias no corpo d´água como um todo; mortandade de peixes; maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento da água; problemas com o abastecimento industrial; toxicidade das algas (especialmente das cianobactérias); modificações na qualidade e quantidade de peixes de valor comercial; redução na navegação e capacidade de transporte; desaparecimento gradual do lago como um todo. Segundo Esteves (1998) é mais apropriado estudar a eutrofização como um caso de regressão do ecossistema.
Uma das principais conseqüências indesejáveis da eutrofização é o desenvolvimento de florações de cianobactérias e o crescimento intensivo de macrófitas como o aguapé Eichhornia crassipes (Bicudo et al., 2006). No Brasil, diversos trabalhos já analisaram a influência de Eichhornia crassipes sobre a qualidade ecológica dos ecossistemas aquáticos (Barbosa et al. 1998; Pinto-Coelho & Greco, 1999; Thomaz et al. 2003, apud Bicudo et al., 2006).
O processo de eutrofização de um ambiente aquático é caracterizado através da classificação em graus de trofia, ou seja, em níveis de estado trófico. Essa abordagem de classificação tipológica consiste em, de acordo com as suas características químicas e biológicas (como concentrações de nutrientes e produtividade primária), conferir a um corpo d’água uma categoria de estado trófico, variando de estágios mais amenos de eutrofização como o oligotrófico para mais avançados como o eutrófico. Naumann (1919, 1929 apud Lamparelli, 2004) define o estado trófico como “a resposta biológica de lagos à introdução de nutrientes”. Em geral, é aceito que o nível trófico de um corpo d’água pode ser inferido a partir das suas concentrações de Clorofila a (utilizadas como medidas da biomassa de algas) das espécies de algas presentes, da transparência da água e das concentrações de nutrientes e oxigênio dissolvido (Toledo et al., 1983).
Na busca por limites que dividissem os ambientes segundo a sua qualidade, surgiram os esquemas simplificados de classificação em graus de trofia. Nesses esquemas, comumente apresentados na forma de tabelas, cada classe de trofia é representada por uma faixa de valores de uma variável, em geral são adotadas três variáveis: clorofila a, transparência (Disco de Secchi) e fósforo total. Assim, para se determinar o estado trófico de um ambiente basta medir o valor de uma variável, buscar na tabela a faixa correspondente a esse valor e, deste modo, obtém-se a classe de trofia na qual o ambiente se encontra.
Outros autores estabeleceram Índices de Estado Trófico (IET), que são calculados a partir de três parâmetros: clorofila a, transparência (Disco de Secchi) e fósforo total (Toledo et al., 1983). Esses índices são dinâmicos e sua concepção permite que os corpos d’água mudem de classificação de trofia ao longo do tempo. Sua principal função é auxiliar no diagnóstico do processo de eutrofização através do levantamento das características do corpo d’água. Atualmente, o Índice de Estado Trófico mais utilizado tanto no âmbito institucional como acadêmico no Brasil, é o índice clássico introduzido por Carlson (1977) e modificado por Toledo et al. (1983) e Toledo (1990), que alteraram as expressões originais para adequá-las à realidade de ambientes subtropicais. Contudo, recentemente Lamparelli (2004) propôs um novo Índice de Estado Trófico, baseada em dados coletados em reservatórios do Estado de São Paulo.
Devido ao seu caráter sintético e simplificado, os Índices de Estado Trófico são usualmente preferidos em estratégias de manejo, pois são usados para simplificar fenômenos complexos, o que decorre do fato de que um índice reduz um determinado fenômeno a uma única dimensão a partir da medida de uma série de variáveis. Assim têm-se que os IETs representam a média das principais expressões físicas, químicas e biológicas do conceito de estado trófico, sendo a transparência da água a variável física, clorofila a a variável biológica e as concentrações de fósforo total a variável química (Bicudo et al., 2006).
Na aplicação de um Índice de Estado Trófico pode-se observar que o Índice médio engloba, de forma satisfatória, a causa e o efeito do processo, pois os resultados do parâmetro fósforo total, IET(PT), podem ser entendidos como uma medida do potencial de eutrofização, já que este nutriente atua como o agente causador do processo, e os resultados procedentes da clorofila a, IET(CL), podem ser considerados como uma medida da resposta do ambiente aquático ao processo de eutrofização, pois indicam o nível de crescimento de algas (CETESB, 2006).
A importância da classificação trófica de ambientes aquáticos reside no fato de que o estabelecimento de critérios, numéricos ou normativos, auxilia no estabelecimento de políticas de gerenciamento de corpos d’água, (Lamparelli, 2004). Segundo USEPA (2000, apud Lamparelli, 2004) os critérios numéricos têm como vantagens o fato de serem objetivos e de mais fácil acompanhamento em programas de recuperação da qualidade das águas.
O conhecimento gerado a partir de investigações anuais é uma valiosa ferramenta para o bom desenvolvimento de estratégias de manejo e controle de processos de eutrofização. A existência de séries históricas de dados obtidos através de monitoramento, e sua interpretação permitem uma melhor compreensão da variação temporal da qualidade ambiental e sua correlação com outros fenômenos, climáticos e hidrológicos, indicando prioridades para elaboração de ações de controle, fiscalização, investimentos ou de legislações específicas, que levem à proteção e/ou à melhoria da qualidade ambiental (Lamparelli, 2004).

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