Cursos de Engenharia Ambiental – Brasil
O curso de Engenharia Ambiental foi estruturado segundo uma visão contemporânea da engenharia, abrangendo a maioria das ciências envolvidas com meio ambiente. Desse modo, a Engenharia Ambiental é um curso multidisciplinar.
Dentre as diversas áreas do conhecimento que têm relação com as questões ambientais destaca-se a Engenharia, pela sua capacidade de diagnosticar, equacionar e resolver problemas.
A Engenharia Ambiental trata os problemas ambientais adotando o conceito da sustentabilidade para propor soluções. Segundo esse conceito o aproveitamento dos recursos naturais deve ser feito eficientemente, atendendo às demandas atuais e preservando-os para as gerações futuras. As disciplinas da Ambiental permitem ao engenheiro trabalhar em diversas áreas e podem ser agrupadas em duas linhas principais de atuação: planejamento/gestão ambiental e processos ambientais (técnicas de tratamento).
Áreas de atuação do Engenheiro Ambiental:
- implantar tecnologias ambientais e sistemas de P2P (Prevenção a poluição) e P+L (Produção mais limpa);
- tratamento de água e esgoto;
- avaliação, diagnóstico e monitoramento de poluição aquática, do solo e do ar;
- avaliação de projetos ambientais;
- implantação de sistema de gestão ambiental e condução de auditoria ambiental;
- e estudos de impactos ambientais;
- acompanhamento de projetos ambientais;
- implantação e busca por melhorias e soluções ambientais internas à empresa;
- fiscalização e gestão de recursos naturais;
- educação ambiental.
Veja a reportagem sobre a demanda crescente de profissionais da Engenharia Ambiental abaixo:
Empresas saem em busca de engenheiros para o setor
Fonte: Carmen Lígia Torres, de São Paulo
Jornal Valor Econômico de 26/09/2008
A revalorização da área de saneamento básico está revigorando o mercado de trabalho. Profissionais que haviam deixado o setor por falta de demanda voltam a ser requisitados, e escolas de graduação e especialização na área experimentam um aumento da procura que deve perdurar por mais alguns anos.
“Esse setor é pouco estruturado em mão-de-obra, principalmente porque esteve exclusivamente nas mãos do setor público durante muitos anos”, afirma Mário Rocha, presidente da Prolagos empresa privada responsável pelos serviços de água e esgoto das cinco cidades que ficam na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Segundo ele, apesar de ainda estar muito concentrada em empresas públicas, a ampliação da participação do setor privado na área já está estimulando a irrigação do conhecimento e a qualificação de profissionais.
A Prolagos opera o saneamento da região desde 1998, e já conseguiu aumentar o índice de distribuição de água potável de 30% para 91% da população em 2007.
A falta de profissionais especializados tem levado muitas empresas a reverem exigências na hora de selecionar os candidatos. A idade do profissional, por exemplo, deixou de ser critério de corte, para dar lugar ao conhecimento e à experiência. “Os contratantes têm se proposto a empregar pessoas de mais de 50 anos, que, até há pouco tempo, seriam recusadas”, diz Frederico Moraes, consultor na área de construção e obras de infra-estrutura da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos para média e alta gerência. “Não há jovens profissionais, especialmente engenheiros, que atendam à qualificação requerida, pois durante muitos anos não houve demanda para as áreas de infra-estrutura em geral”, diz.
Segundo os cálculos dos engenheiros da Sabesp, estatal paulista de saneamento, a demanda deverá estar aquecida até, pelo menos, 2010, pois há previsão de investimentos de R$ 7 bilhões até essa data, apenas no Estado de São Paulo. “Estamos nos preparando para trazer de volta o pessoal especializado que foi para outros setores devido ao abandono verificado nos últimos anos”, diz Luiz Narimatsu, presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp.
Desde o ano passado, a AESabesp, que era uma entidade exclusiva para o corpo de engenheiros da Sabesp, modificou seu estatuto interno e tem promovido cursos, seminários e congressos técnicos para estimular a qualificação dos profissionais. “Fazemos uma ponte entre os profissionais e as empresas, que têm nos procurado para ajudar a compor equipes”, conta.
A necessidade de preparar pessoas para as obras de saneamento do projeto Onda Limpa levou a Prefeitura de Itanhaém e o Governo do Estado de São Paulo a criar uma escola de nível técnico, voltada ao saneamento. O curso foi montado pelo Centro Paula Souza, que administra 141 Escolas Técnicas (Etecs) e 47 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) públicas do Estado de São Paulo. As aulas começaram no segundo semestre de 2006, junto com as obras na região.
“As empreiteiras Delta Araguaia e a GBS já são parceiras da escola, e nos procuram para selecionar os profissionais”, diz João Carlos Prado Lima, coordenador da Etec Itanhaém. Segundo ele, os estudantes são recrutados logo no início do curso, que tem duração de seis semestres. “Dos 40 alunos matriculados agora no segundo semestre, 25% já estão empregados”, informa.
O curso superior de Hidráulica e Saneamento Ambiental, da Fatec São Paulo, foi remodelado para atender à demanda da área de saneamento básico, abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e disposição final de resíduos sólidos. Atualmente, 100% dos alunos dos 7º e 8º semestres já estão trabalhando, segundo Josué Souza de Góis, coordenador do curso.
REFERENCIAIS NACIONAIS DOS CURSOS DE ENGENHARIA – MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
REFERENCIAL DO CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
Carga Horária Mínima: 3600h
PERFIL DO EGRESSO
O Engenheiro Ambiental é um profissional de formação generalista, que atua no Planejamento, na Gestão Ambiental e na Engenharia e Tecnologia Ambiental. Atua nos aspectos do relacionamento Homem-Meio Ambiente e seus efeitos na cultura, no desenvolvimento sócio-econômico e na qualidade de vida. Coordena e supervisiona equipes de trabalho, realiza estudos de viabilidade técnico-econômica, executa e fiscaliza obras e serviços técnicos; e efetua vistorias, perícias e avaliações, emitindo laudos e pareceres. Em suas atividades, considera a ética, a segurança, a legislação e os impactos ambientais.
TEMAS ABORDADOS NA FORMAÇÃO
Atendidos os conteúdos do núcleo básico da Engenharia, os conteúdos profissionalizantes do curso são: Ecologia e Microbiologia; Climatologia; Geologia; Pedologia; Cartografia e Fotogrametria; Informática; Geoprocessamento; Mecânica dos Sólidos; Mecânica dos Fluídos; Gestão Ambiental; Planejamento Ambiental; Hidrologia; Hidráulica Ambiental e Recursos Hídricos; Poluição Ambiental; Avaliação de Impactos e Riscos Ambientais; Saneamento Ambiental; Saúde Ambiental; Caracterização e Tratamento de Resíduos Sólidos; Líquidos e Gasoso; Legislação e Direito Ambiental; Ciência dos Materiais; Ergonomia e Segurança do Trabalho; Métodos Numéricos; Modelagem Ambiental; Análise e Simulação de Sistemas Ambientais; Sistemas de Informação.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
O Engenheiro Ambiental é habilitado para trabalhar em empresas e órgãos públicos e privados; empresas de consultoria técnicas e organizações não-governamentais (ONGs).
INFRAESTRUTURA RECOMENDADA
Laboratório de Física (Mecânica e Eletricidade); Laboratório de Informática com programas específicos; Laboratório de Química (Inorgânica, Analítica e Físico-Química); Laboratório de Biologia (Ecologia e Microbiologia); Laboratório de Geologia, Geotecnia e Solos; Laboratório de Geoprocessamento; Laboratório de Análise de Águas; Laboratório de Hidráulica e Hidrologia; Laboratório de Caracterização e Tratamento de Resíduos; Atividades de Campo e Visitas Técnicas a indústrias, estações de tratamento de água e esgoto e aterros sanitários e controlados.
LEGISLAÇÃO PERTINENTE
Portaria 1693/1994.
Resolução CNE/CES 11/ 2002.
