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Ganho de valor através da gestão dos resíduos sólidos

A reportagem abaixo do Jornal Valor Econômico exemplifica muito bem como os resíduos sólidos possuem um valor econômico que pode ser aproveitado através do seu gerenciamento adequado.
O ponto principal para garantir este aproveitamento é separar na fonte geradora, visando que a mistura de diversos tipos de resíduos não gerem contaminação ou inviabilizem uma separação futura.
Lendo a reportagem também podemos perceber que para cada tipo de resíduo em geral existe uma possibilidade de reaproveitamento ou de reciclagem, ou seja, que a fração que realmente é rejeito é muito pequena, o que demonstra que é besteira ficar entupindo aterros sanitários com materiais que ainda possuem utilidade.


Produtividade aumenta com a gestão de resíduos

Fonte: Jornal Valor Econômico de 30/09/2008

Por Silvia Torikachvlli de São Paulo

As ações de responsabilidade ambiental desembarcaram há quase oito anos no Shopping Iguatemi de São Paulo – e vieram a reboque de providências de ordem econômica. Só na garagem da avenida Faria Lima, 6.464 lâmpadas de 40 w foram substituídas por 3.232 luminárias de 32 w, que iluminam mais e representam hoje uma diminuição de 30% na conta de luz. “A troca gerou uma redução no consumo de cerca de 38 mil kW/ano”, calcula Charles Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi. “Essa economia permitiu ainda redução de 50% na compra de lâmpadas para garagens.”
Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi: troca de vasos sanitários diminuiu em 50% o consumo de água
A economia sempre fala mais alto na hora de tomar decisões de ordem ambiental. Os vasos sanitários dos oitenta banheiros do Iguatemi foram substituídos há cinco anos: saíram os de 12 litros e entraram os de 6 litros. Para ilustrar a redução de consumo, Krell cita um dado de 1998, quando a conta mensal de água era de 8.876 m3. Em 2006, o consumo caiu para 4.838 m3/mês. “Uma queda de 50%, mesmo considerando que nesse intervalo o shopping passou por três expansões de área.”
Não há segredo nessa redução. Krell vai enumerando as providências tomadas a partir da economia conquistada com a diminuição do consumo. Armazenar a água da chuva em tanques com tratamento específico representou uma redução de 12% no consumo, diz ele. “Mas também acionamos constantemente os caça-vazamentos, construímos poços artesianos, introduzimos travas nas válvulas de descarga, torneiras economizadoras – tudo para aumentar a eficiência sem perder a qualidade.”
Mesmo sendo uma edificação com mais de 40 anos de funcionamento, o Iguatemi, segundo Krell, pode ser incluído entre os 20% de shoppings da nova geração que, justamente por terem sido construídos de acordo com as novas normas ambientais, ostentam sofisticadas modelos de gestão de resíduos. Em 2007, segundo Krell, a rede Iguatemi encaminhou para a reciclagem 1.805 toneladas de materiais como papelão, metal, papel, plástico, vidro e óleo de cozinha.
Encaminhar para a reciclagem não basta. Fundamental mesmo é acompanhar a trilha do descarte de todos os resíduos. O shopping Dom Pedro, construído em 2002, em Campinas (SP), pela rede Sonae Sierra, é modelo de gestão ambiental, segundo a coordenadora Elizabeth Morita. As providências começaram antes mesmo da construção. As árvores retiradas da área para dar lugar ao empreendimento foram transportadas para o Parque Ribeirão das Pedras. O espaço, até então deteriorado e abandonado, recebeu 35 mil mudas de árvores nativas. Nessas ações, Campinas ganhou um shopping e uma área de lazer renovada. “Essa experiência deu tão certo que vamos replicar no empreendimento do grupo em Goiânia”, diz Elizabeth.
O acompanhamento da trilha do descarte de resíduos das 360 lojas do shopping Dom Pedro, por onde circulam cerca de 1,8 milhão de consumidores por mês, mereceu o ISO 14001, que estabelece diretrizes básicas para o gerenciamento da questão ambiental. “Nossa reciclagem fica entre os 65% e 70%, o que nos garantiu o segundo lugar na pesquisa que abrange um universo de 140 shoppings no mundo inteiro.”
A gestão dos resíduos é acompanhada de perto no Dom Pedro – “o que significa que cada descarte tem relatório do parceiro que recolhe e auditoria que confere a destinação e utilização final”, diz Elizabeth. No caso das 20 toneladas de cascas de cítricos e borra de café, a empresa que faz a gestão de resíduos direciona tudo para a compostagem numa fazenda do interior, que vende o produto obtido para empresas de paisagismo e jardinagem. As sobras de alimentos, cerca de 65 toneladas/mês, são encaminhadas para beneficiamento e, posteriormente, transformadas em ração animal.
Para que essas etapas todas funcionem em sintonia, os lojistas recebem treinamentos e os próprios consumidores são informados sobre como podem participar. As embalagens de papelão ondulado, que costumam voltar à fábrica em forma de reciclável, estão na mira de exclusão. A administração do Dom Pedro incentiva os lojistas a trocar as caixas de papelão por embalagens vai-e-volta de plástico. O Dom Pedro, enfim, não pára de inventar. A nova estação de tratamento de efluentes vem representando uma reutilização de 35% da água consumida, que bate nos 20 mil m3 por mês. “Os sanitários e a rega dos jardins são abastecidos com água de reúso”, diz Elizabeth.
No Rio de Janeiro, o NorteShopping está em operação há 21 anos, com 350 lojas que atraem cerca de 2,5 milhões de pessoas/mês. As primeiras ações ambientais começaram em 1998, segundo Maria Fernanda De Paoli, gerente de marketing do empreendimento. E começaram pela reciclagem do lixo. De duas a três vezes ao dia os coletores percorrem as lojas onde já existe uma separação prévia de resíduos. O resultado das coletas vai para diferentes empresas especializadas em reciclagem. “Temos relatórios mensais das empresas terceirizadas que nos garantem que cada descarte é feito de forma apropriada”, diz Maria Fernanda.
Por sugestão dos donos de restaurantes, a coleta de óleo de cozinha foi incluída como modalidade de descarte no NorteShopping. “A cada dia vamos agregando novas formas de gerenciar os resíduos”, diz Maria Fernanda. A água de chuva já é 100% tratada e utilizada na alimentação do chafariz do shopping. A reutilização da água de esgoto também foi providência adotada recentemente. Uma estação de tratamento capta os efluentes e trata o material, que é reutilizado no sistema de ar condicionado. “Essa medida representa uma economia de 250 mil caixas d´água”, calcula Maria Fernanda. “É quantidade suficiente para abastecer um edifício de 24 apartamentos com três pessoas em cada unidade.”
A usina de co-geração de energia do NorteShopping, que antes funcionava a diesel, agora é movida a gás natural. O processo está em andamento há cerca de seis anos e representa a cada ano uma economia de 30% de energia elétrica e 40% no consumo de água. “Estamos deixando de gastar dinheiro à toa”, comemora Maria Fernanda. “Com processos ecologicamente corretos reduzimos custos e alcançamos maior produtividade.”
Para que os clientes sejam informados das ações de forma que façam parte dessa grande ciranda, Maria Fernanda providenciou adesivos para cada uma das mesas da praça de alimentação. Ali, todo consumidor fica sabendo como e onde descartar seu próprio lixo. “Ele se transforma num elo dessa cadeia ao ser informado, por exemplo, que 60% dos copos utilizados, ou mais de 670 kg de plástico, foram transformados em outros produtos graças à colaboração dele”, diz Maria Fernanda. “É raro algum consumidor resistir a esse apelo.” (S.T.)

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Desenvolvimento Sustentável Gestão Ambiental

Conceito de Ecoturismo

As Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo (EMBRATUR, 1994) definem o ecoturismo como sendo “um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas”.

Embora a busca por esta modalidade de turismo esteja crescendo continuamente em todo o mundo, a prática de atividades turísticas sustentáveis ainda encontra muitas dificuldades no Brasil, principalmente pela falta de preparo do setor para operar dentro das normas e restrições que este tipo de atividade exige, e lidar com o público que busca tais experiências. Estes obstáculos podem inviabilizar a comercialização de empreendimentos que procurem seguir os conceitos do ecoturismo. Muitas vezes suas limitações acabam por encarecê-lo e torná-lo um produto cujo processo de comercialização seja mais complexo e detalhado, exigindo mais preparo e sensibilidade dos responsáveis pela venda, muitas vezes assim inviabilizando econônicamente o empreendimento.

O objetivo primordial de fazer turismo respeitando o meio ambiente, em detrimento de atividades massificadas e “predatórias”, é torná-lo sustentável, de modo que estes atrativos naturais e culturais estejam disponíveis indefinidamente. Isto possibilita às pessoas que atuam neste setor da economia uma oferta constante e duradoura de empregos. Ainda que em uma primeira análise a lucratividade seja menor, quando comparado a locais que não demonstram tais preocupações, em médio e longo prazo recupera-se este “prejuízo” através da conservação ambiental, que em última instância é a maior fonte geradora de recursos.

Os 7 princípios do turismo sustentável definidos pelo Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável (2003):
1. Respeito à legislação vigente;
2. Direitos das populações locais;
3. Considerar o patrimônio e o valor das culturas locais;
4. Desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos;
5. Conservação do ambiente natural;
6. Sustentabilidade da atividade;
7. Planejamento e gestão responsável.

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Certificação Florestal Desenvolvimento Sustentável Gestão Ambiental

A importância da Mata Ciliar

Atualmente nas áreas urbanas parece que a população e os políticos já esqueceram o que é mata ciliar e qual sua importância, pois ao lado dos córregos, reservatórios e lagos urbanos em geral temos avenidas e ruas, e não florestas conservadas.
Na zona rural, o uso das áreas naturais e do solo para a agricultura, pecuária, loteamentos e construção de hidrelétricas contribuiram para a redução da vegetação original nas margens dos corpos d’água, chegando em muitos casos a ausência total da mata ciliar, mas qual a importância disso tudo?
Para falar da importância da Mata Ciliar, primeiro é preciso responder: O que é Mata Ciliar?
Mata ciliar é a formação vegetal localizada nas margens dos rios, córregos, lagos, represas e nascentes, ou seja, localizada nas margens dos corpos d’água. A mata ciliar também é conhecida como mata de galeria, mata de várzea, vegetação ou floresta ripária. A área que abrange a mata ciliar é considerada pelo Código Florestal Federal como APP – “área de preservação permanente”, e possui diversas funções ambientais, devendo possuir uma extensão específica a ser preservada de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente. (Veja a figura abaixo)

Largura das APPs segundo a Largura do corpo d\'água.
Largura das APPs segundo a Largura do corpo d'água.

E para percebermos a importância real da Mata Ciliar, é preciso responder: O que acontece sem a mata ciliar?
1 – ESCASSEZ DA ÁGUA
A ausência da mata ciliar faz com que a água da chuva escoe sobre a superfície, ou seja, aumenta o escoamento superficial e diminui a infiltração, diminuindo assim o armazenamento no lençol freático. Com isso, reduze-se o volume de água disponível no subsolo e acarreta em enchentes nos córregos, rios e os riachos durante as chuvas.
2 – EROSÃO E ASSOREAMENTO
A mata ciliar é uma proteção natural contra o assoreamento. Sem ela, a erosão das margens leva terra para dentro do rio, e os sólidos em suspensão trazem prejuízos ecológicos, dificuldade no tratamento de água para abastecimento, entupimento de tubulações de captação e assoreamento, mudando o curso do corpo d’água. O processo de erosão se torna acentuado principalmente devido a ocorrência de enchentes nas épocas de chuva.
3 – PRAGAS NA LAVOURA
A ausência ou a redução da mata ciliar pode provocar o aparecimento de pragas e doenças na lavoura e outros prejuízos econômicos às propriedades rurais.
4 – QUALIDADE DA ÁGUA
A mata ciliar possui grande importância na manutenção de boa qualidade da água, pois reduz a erosão das margens e consequentemente o assoreamento dos rios, que geram sólidos em suspensão e prejudicam a vida aquática e a qualidade da água para uso e consumo humano.
5 – MANUTENÇÃO DA BIODIVERSIDADE
A conservação dessas áreas naturais possibilitam que as espécies, tanto da flora, quanto da fauna, possam se deslocar, reproduzir e garantir a biodiversidade da região.
Um exemplo de empreendimento com a Mata ciliar preservada é o passeio de ecoturismo realizado no Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim, Mato Grosso do Sul, região de Bonito e da Serra da Bodoquena.

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Gestão Ambiental Resíduos Sólidos

Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos

O problema dos Resíduos Sólidos Urbanos é apenas uma questão de falta de visão.
A questão ambiental só passou a ser considerada importante nas últimas três décadas, antes disso pouco se pensava sobre planejamento urbano, reciclagem e compostagem. Uma conseqüência desse desenvolvimento de consciência tardio é a falta de planejamento quanto à questão do tratamento e da disposição final de resíduos sólidos que a maioria das cidades brasileiras enfrenta. E, para agravar ainda mais a situação, esses métodos terão que ser desenvolvidos agora, em uma época de acelerado crescimento populacional e desenvolvimento urbano.
Estima-se que a população brasileira produza por dia uma média de 150 mil toneladas de lixo urbano, média esta, que tende a crescer como a população, em crescimento exponencial, e que deste total somente 65% seja coletado, ou seja, os 35% restantes vão parar nas ruas das cidades ou na natureza, poluindo, disseminando doenças e, assim, ameaçando a integridade da fauna, flora e população local. Das 98 mil toneladas de lixo que são coletadas, 75% têm como destino final os despejos a céu aberto, mais conhecidos como lixões, uma prática extremamente condenável pela sua capacidade de poluir em grande escala, e pela ameaça que a mesma representa à saúde da população.
Para solucionar esse problema é preciso primeiro investir em tecnologias para a gestão integrada dos resíduos sólidos, o que significa trabalhar integralmente o planejamento das ações técnicas e operacionais do sistema de limpeza urbana com os aspectos sociais, ou seja, unir as questões sanitárias, ambientais, econômicas e sociais. Uma união que já deveria ter sido proposta há muito tempo, considerando as fortes relações de causa e conseqüência existentes entre os temas listados.
Uma das maneiras mais completas de tratar e a dispor adequadamente o lixo urbano é através da separação dos tipos de resíduos, um método que envolve a reciclagem e a reutilização (um exemplo de reuso é a compostagem), sendo, portanto responsável por grandes economias de energia e de recursos naturais finitos. Essa segregação também irá proporcionar extrema eficácia para o serviço de tratamento já que cada espécie de resíduo irá ser processada utilizando metodologias e estruturas específicas, o que irá proporcionar grandes melhorias sociais, ambientais e econômicas.
Enxergar a longo prazo é ter visão. Na ciência do meio ambiente existem ações e reações resultando em processos e, muitos destes, obedecem a ciclos definidos, na maioria das vezes, muito antes do aparecimento da raça humana na Terra. Nosso planeta poderá sim sobreviver à nossa raça, da nossa parte é preciso apenas visão e planejamento.

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Gestão Ambiental Resíduos Sólidos

Países desenvolvidos e resíduos

Na aula do mestrado esta semana o Professor Marc (Holandês), passou um esquema muito interessante sobre como os países desenvolvidos lidam com seus resíduos industriais:
Primeiro: evitar geração de poluentes e de resíduos.
Segundo: se gerado o resíduo, tenta reaproveitar no local onde foi gerado.
Terceiro: Se isso não é posivel, tentar transformar em algo útil num outro lugar, exemplo: bolsa de resíduos industriais, o resíduo de uma indústria é matéria-prima para outra.
Quarto: Se as opções anteriores não são possíveis, tenta tratar o resíduo.
Penuútima opção: incinerar para gerar energia.
Última opção: é depositar num aterro, pois em países desenvolvidos os custos de aterrar são elevados devido a falta de espaço, e necessidade de gerenciamento.
Já nos países em desenvolvimento o que que a gente faz?
A gente aterra tudo!!