Categoria — Gestão Ambiental
Conceito de externalidades
As externalidades são os efeitos colaterais da produção de bens ou serviços sobre outras pessoas que não estão diretamente envolvidas com a atividade. Em outras palavras, as externalidades referem-se ao impacto de uma decisão sobre aqueles que não participaram dessa decisão.
As externalidades podem ter efeitos positivos ou negativos, isto é, podem representar um custo para a sociedade, ou podem gerar benefícios à mesma.
Um exemplo típico de externalidade negativa é a da fábrica que polui o ar, afetando a comunidade próxima. No entanto, o estímulo a economia regional, como resultado da demanda de serviços pela fábrica, pode representar uma externalidade positiva para a comunidade.
O problema das externalidades negativas é que elas passam a se tornar custos para a população. Assim é necessário a criação de políticas públicas para estimular a instalação de atividades que constituam externalidades positivas, e impedir a geração de externalidades negativas, ou obrigar aos geradores de externalidades negativas que as internalizem, isto é, arquem com os custos das mesmas.
fevereiro 16, 2009 2 Comments
Ecoeficiência pode ser uma resposta positiva à crise
Reportagem publicada no Jornal Valor Econômico do dia 27/01/2009
(J.C.O.) de São Paulo
A crise econômica coloca as empresas diante de uma espécie de escolha de Sofia entre preservar o caixa ou investir em programas de redução com ecoeficiência de custos com água, energia ou matérias-primas. O dilema é real. Mas, como lembra Beatriz Bulhões, diretora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), é preciso levar em conta que a própria crise mostra que o modelo atual está em ruínas. Ou seja, ela acredita que não vai bastar pisar no freio e esperar pela retomada do crescimento, porque a economia que vai emergir depois da crise será outra. “O mundo está mudando”, lembra, utilizando uma imagem do discurso de posse de Barack Obama.
Há uma diferença entre apenas enxugar custos e em utilizar os instrumentos da ecoeficiência e da sustentabilidade para repensar os negócios. “Só enxugar é pensar no agora; com a sustentabilidade, o foco é o futuro”, salienta. A avaliação de Beatriz não é exclusiva, já que, no final do ano passado, pesquisa realizada durante a reunião anual do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) com cerca de 200 empresas globais mostrou que, para 59% delas, as políticas de ecoeficiência e de sustentabilidade eram uma resposta eficiente à crise e criariam novas oportunidades de negócios.
Não há, diz a diretora, um levantamento consolidado do quanto as empresas podem reduzir gastos quando calçam suas decisões no pilar da sustentabilidade. Existem exemplos diversos, como de empresas que conseguiram reduzir seus custos com água em até 90%.
Segundo a Agência Nacional de Águas (Ana), o desperdício de água no país chega a 40% – o dobro da perda aceitável internacionalmente. Em termos globais, a indústria é responsável por 22% de toda a água doce consumida. Alguns setores são especialmente gastadores, como o aço. Antes da Segunda Guerra Mundial, eram necessárias entre 60 toneladas e 100 toneladas de água para produzir uma tonelada do metal. Hoje, são gastas seis toneladas. Entretanto, o consumo ainda é alto quando o comparamos com o de outros setores, como o de alumínio, que gasta 1,5 tonelada de água.
No Brasil, acredita Beatriz, a maior parte das grandes indústrias tem programas de reaproveitamento de água, uma vez que ela se torna cada vez mais rara e cara. Enfim, a escassez é uma oportunidade. Pelo menos é assim que vê o problema (ou mercado) a General Water. Na grande São Paulo, onde a GW atua, a oferta de água é de 200 metros cúbicos por habitante e, segundo a Organização Mundial de Saúde, o mínimo aceitável é de 2.500 metros cúbicos por habitante. Logo, garantir abastecimento contínuo e de qualidade será cada vez mais estratégico para as empresas. E é isso que a GW se propõe a fazer para seus clientes, que são grandes consumidores privados (consumo mínimo de 10 mil metros cúbicos por mês), como indústrias, shopping centers, condomínios, clubes, hospitais, universidades e centros empresariais.
A empresa oferece uma redução de custos entre 15% e 20%, na comparação com os preços cobrados pela Sabesp. Na prática, os clientes da GW fecham a ligação com a água da rua, porque a GW constrói sistemas de captação e tratamento de águas subterrâneas – que são, por definição, renováveis -, além de reformar ou ampliar estruturas já existentes e instalar sistemas de reuso de água. Enfim, captação, tratamento e racionalização do uso.
Além da redução de custos, há outro importante atrativo financeiro: a GW assume todos os custos e riscos do investimento, desde os primeiros estudos de prospecção no terreno até a instalação da última engrenagem do projeto. “O risco do nosso negócio é este, de não achar água. Muitos dos nossos clientes acabam nos procurando depois de não terem conseguido encontrá-la”, afirma. Mas quando há água (e o poço pode chegar a 600 metros de profundidade), a GW assina um contrato de longo prazo de fornecimento, de dez anos.
Na área de energia, dados preliminares da Eletrobrás indicam que a indústria é ainda a grande campeã em desperdício, jogando fora cerca de 30% da energia que recebe. Até 2015, com o Procel, o governo pretende reduzir a demanda de energia em 130 bilhões de kWh, com ganho líquido para o país de R$ 34 bilhões. Uma boa parte dessa redução será possível com a utilização de equipamentos mais modernos.
No caso de ar condicionado e de equipamentos de refrigeração, a Danfoss aponta que é possível economizar até 30%, já que, nas palavras de Peter David Young, diretor de vendas da divisão de refrigeração e ar condicionado, “não é mais como no passado, onde o equipamento funcionava a plena carga ou era desligado. Hoje, podemos racionalizar o uso, o que gera uma importante economia”.
Segundo o executivo, o diferencial competitivo da Danfoss é o uso de novas tecnologias para reduzir o consumo de matérias-primas e de energia, causando o menor impacto possível sobre o meio ambiente. Multinacional com origem na Dinamarca e líder em pesquisas de desenvolvimento, produção e venda de componentes mecânicos e eletrônicos para diversos segmentos da indústria, a companhia atua nos segmentos de refrigeração e ar condicionado, aquecimento e água e controles de movimento. Agora, a aposta tecnológica é no uso do gás carbônico como gás refrigerante. “O processo é 100% natural e sustentável. Já é utilizado na Europa e está de acordo com a legislação ambiental.”
Em 2009, acredita Young, “o mercado vai continuar crescendo, mas a um ritmo menor”. No ano passado, as vendas da Danfoss aumentaram 20% e, neste ano, devem ter incremento de 10%. O setor de supermercados será o principal responsável por este comportamento. “Eles já nos disseram que os investimentos serão mantidos”, garante o executivo. De fato, não é de hoje que as vendas para Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar têm tido um bom desempenho para a companhia. Entre 2006 e 2008, o crescimento foi de 75%.
fevereiro 2, 2009 1 Comment
Conservação X Preservação
Existem dois conceitos muito utilizados na área ambiental e diretamente relacionados com os pressupostos do desenvolvimento sustentável: preservação e conservação; são conceitos distintos, mas erroneamente muitas vezes são utilizados com o mesmo significado.
- Conservação implica em uso racional de um recurso qualquer, ou seja, em adotar um manejo de forma a obter rendimentos garantindo a auto-sustentação do meio ambiente explorado.
- Já preservação apresenta um sentido mais restrito, significando a ação de apenas proteger um ecossistema ou recurso natural de dano ou degradação, ou seja, não utilizá-lo, mesmo que racionalmente e de modo planejado.
fevereiro 2, 2009 1 Comment
Biomonitoramento: conceitos básicos
Fonte: BUSS, Daniel Forsin; BAPTISTA, Darcílio Fernandes; NESSIMIAN, Jorge Luiz. Conceptual basis for the application of biomonitoring on stream water quality programs. Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, 2003 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000200013&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 June 2008. doi: 10.1590/S0102-311X2003000200013
O uso de parâmetros biológicos para medir a qualidade da água se baseia nas respostas dos organismos em relação ao meio onde vivem. Como os rios estão sujeitos a inúmeras perturbações, a biota aquática reage a esses estímulos, sejam eles naturais ou antropogênicos.
Biomonitoramento pode ser definido como o uso sistemático das respostas de organismos vivos para avaliar as mudanças ocorridas no ambiente, geralmente causadas por ações antropogênicas. O Biomonitoramento é uma ferramenta de avaliação da saúde dos ecossistemas de rios, fornecendo subsídios para uma análise integrada da qualidade da água.
A idéia de que espécies podem ser usadas para indicar certas condições ambientais tem sido verificada com bastante freqüência ao longo da história. Bioindicadores são espécies escolhidas por sua sensibilidade ou tolerância a vários parâmetros, como poluição orgânica ou outros tipos de poluentes (Washington, 1984).
O termo “resposta biológica” se refere ao conjunto de reações de um indivíduo ou uma comunidade em relação a um estímulo ou a um conjunto de estímulos (Armitage, 1995).
Segundo Metcalfe (1989), o uso das respostas biológicas como indicadores de degradação ambiental é vantajoso em relação às medidas físicas e químicas da água, pois estas registram apenas o momento em que foram coletadas, como uma fotografia do rio, necessitando assim de um grande número de análises para a realização de um monitoramento temporal eficiente. Outra desvantagem é que, se forem feitas longe da fonte poluente, as medições químicas não serão capazes de detectar perturbações sutis sobre o ecossistema (Pratt & Coler, 1976). Por sua vez, os organismos integram as condições ambientais durante toda a sua vida, permitindo que a avaliação biológica seja utilizada com bastante eficiência na detecção tanto de ondas tóxicas intermitentes agudas quanto de lançamentos crônicos contínuos (De Pauw & Vanhooren, 1983).
Além disso, as metodologias biológicas são bastante eficazes na avaliação de poluição não pontual (difusa), tendo, portanto, grande valor para avaliações em escala regional (Pratt & Coler, 1976). Mesmo em casos de lançamentos contínuos dentro das normas estabelecidas por lei, o uso da biota aquática é uma importante ferramenta na avaliação da qualidade da água. Isso se deve a um processo natural denominado biomagnificação, que é a transmissão de compostos que não são metabolizados ou excretados pelos organismos para o nível superior da cadeia trófica. Em alguns casos esses compostos podem ser tóxicos se acumulados, como no caso de metais pesados e de pesticidas organoclorados. Portanto, mesmo estando dentro das normas legais de lançamento, esses efluentes podem estar degradando as inter-relações biológicas, extinguindo espécies e gerando problemas de qualidade de vida para as populações que utilizam aquele recurso (Sinergia / Ecotoxicologia / Estudos ecotoxicológicos).
Os indicadores biológicos são muito úteis por sua especificidade em relação a certos tipos de impacto, já que inúmeras espécies são comprovadamente sensíveis a um tipo de poluente, mas tolerantes a outros (Washington, 1984). Assim, índices podem ser criados especificamente para detectar derramamento de óleo, poluição orgânica, alteração de pH da água, lançamento de pesticidas, entre outros.
Segundo Johnson et al. (1993), um indicador biológico “ideal” deve possuir as seguintes características:
• ser taxonomicamente bem definido e facilmente reconhecível por não-especialistas;
• apresentar distribuição geográfica ampla;
• ser abundante ou de fácil coleta;
• ter baixa variabilidade genética e ecológica;
• preferencialmente possuir tamanho grande;
• apresentar baixa mobilidade e longo ciclo de vida;
• dispor de características ecológicas bem conhecidas;
• ter possibilidade de uso em estudos em laboratório.
A partir dessa primeira tentativa de classificação de ambientes com base na fauna local surgiram diversas metodologias, que podem ser divididas em três grandes grupos: os índices bióticos, os modelos de predição de impacto e os protocolos de avaliação rápida.
janeiro 5, 2009 No Comments
Gestão ambiental X Gerenciamento ambiental
Muitas pessoas confundem as expressões gestão ambiental e gerenciamento ambiental.
A gestão ambiental integra em seu significado:
1. A política ambiental, que é o conjunto consistente de princípios doitrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. Uma estratégia ambiental adequada, expressa através de uma política ambiental, é o marco inicial para que as empresas considerem os aspectos ambientais das suas operações.
2. O planejamento ambiental, que é o estudo prospectivo que visa a adequação do uso, controle e proteção do ambiente às aspirações sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente em uma política ambiental, através da coordenação, compatibilização, articulação e implantação de projetos de intervenções estruturais e não-estruturais;
3. O gerenciamento ambiental, que é o conjunto de ações destinado a regular o uso, controle, proteção e conservação do meio ambiente, e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela política ambiental.
Observa-se assim que o gerenciamento ambiental, na verdade, é parte integrante da gestão ambiental.
dezembro 27, 2008 5 Comments
Reformulação no design de produtos reduz Impacto Ambiental
A notícia abaixo demonstra a aplicação prática da técnica de ACV – Análise de Ciclo de Vida – na redução do impacto ambiental de um produto. E também demonstra como o design de um produto é determinante na quantidade e nos tipos de impactos ambientais que o mesmo vai gerar no futuro.
CATÁLOGO DA NATURA É REFORMULADO E REDUZ EM 32% O IMPACTO AMBIENTAL
Novo projeto diminui em 3.500 toneladas por ano a geração de resíduos.
Fonte da notícia: Empresa: MVL COMUNICAÇÃO – São Paulo, 05/08/2008
A Natura estréia neste mês o novo projeto editorial e gráfico do seu catálogo, publicação utilizada pelas consultoras e consultores para levar aos consumidores as informações e conceitos por trás dos produtos da marca. A mudança vai propiciar não só uma comunicação mais eficiente como vai ajudar a empresa a reduzir o impacto ambiental das suas atividades.
A reformulação culminou com a redução de quase 60 páginas em relação à versão anterior. Outra novidade é a substituição do papel reciclado por couché. A decisão pela troca foi subsidiada tecnicamente por testes e com base na metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) realizada pela companhia, que analisou a cadeia da produção da publicação com os dois tipos de papel. O couché, por ter um peso menor (gramatura, no jargão industrial) do que o reciclado, levará a companhia a reduzir em 3.500 toneladas ao ano o consumo de papel e, conseqüentemente, a quantidade de resíduos gerados pelo descarte.
Além disso, o couché que será utilizado é certificado FSC (Forest Stewardship Council), organização internacional não-governamental que define critérios de certificação florestal e de cadeia de custódia em toda a cadeia produtiva do papel _que começa com o plantio da árvore, a indústria de celulose, a transformação da matéria-prima em papel, o transporte e a impressão do produto.
As análises conduzidas pela Natura revelaram que o conjunto de medidas do novo projeto editorial e gráfico levará à redução de 32% por ano do impacto ambiental provocado no processo de produção do catálogo. Colocadas dentro de toda a cadeia de negócios da empresa, as mudanças vão possibilitar uma redução anual de 2% das emissões da companhia de CO2 equivalentes, ou 4.500 toneladas. Esta ação está alinhada com o Programa Carbono Neutro da companhia, bem como a preocupação com o consumo consciente.
Além do ganho ambiental, a utilização do papel couché branco dará melhor qualidade gráfica ao catálogo, que passará a retratar de forma mais fiel as cores, importante no processo de apresentação de produtos cosméticos.
Outra novidade é que o catálogo completo terá uma versão virtual, disponível no site www.natura.net. Essa ferramenta vai no futuro permitir às consultoras, consultores e consumidores funcionalidades como, por exemplo, o envio de e-mails com informações e fotos de produtos e um sistema de busca.
“Conseguimos com esse novo projeto o ganho duplo que havíamos planejado: um catálogo mais bonito e eficiente e que vai gerar menor impacto ambiental”, explica Erasmo Toledo, diretor de Planejamento Mercadológico e Vendas e de marketing de Relacionamento da Natura.
Com tiragem média de 2 milhões a cada 21 dias, o catálogo da Natura é uma das publicações de maior circulação no país.
novembro 24, 2008 1 Comment
Supermercado verde – Exemplo de gestão ambiental
O primeiro Supermercado Verde do Grupo Pão de açucar é um grande exemplo de gestão ambiental. Somadas, todas as ações do supermercado contribuem em muito para o meio ambiente. Vale a pena conhecer!
Para ver o relatório com fotos sobre o Primeiro Supermercado Verde do Grupo Pão de açucar, localizado em Indaiatuba, SP, clique no link abaixo.
supermercado-verde-pao-de-acucar-o-1c2ba-da-america-latina
novembro 24, 2008 No Comments
Saneamento Ambiental
O Saneamento ambiental compreende as seguintes atividades:
Abastecimento de água;
Esgotamento sanitário;
Drenagem urbana;
Coleta e destinação final dos resíduos sólidos;
Controle de vetores e de reservatórios de doenças transmissíveis;
Saneamento da habitação, dos alimentos, dos locais de trabalho e recreação, no processo de planejamento territorial, em situações de emergência e etc;
Educação em saúde pública e ambiental;
O Saneamento ambiental tem uma importância social e econômica, pois:
Fatores ambientais e antrópicos são inter-relacionados com doenças!
Diminui incidência de Doenças (Doenças de veiculação hídrica, proliferação de vetores);
Diminui custos para a sociedade em geral (diminuição núm. leitos hospitalares, menor índice de faltas no trabalho, aumento da qualidade de vida em geral, menores gastos com remediação de passivos ambientais);
Preserva os recursos naturais, diminuindo os custos de exploração e beneficiamento.
Os impactos proporcionados pelo ambiente sobre a saúde humana podem ser divididos em:
Riscos tradicionais: associados ao subdesenvolvimento, como falta de acesso à água potável, saneamento inadequado das habitações e comunidade, destino inadequado de resíduos sólidos, acidentes ocupacionais, e etc.
Riscos modernos: associados ao desenvolvimento não-sustentável, como poluição urbana, poluição industrial, geração de resíduos sólidos perigosos, riscos químicos e radiotivos, desflorestamento, degradação do solo, mudanças climáticas.
novembro 20, 2008 No Comments
Gerenciamento de resíduos sólidos
As figuras abaixo são relacionadas ao Gerenciamento de resíduos sólidos. Abaixo de cada figura está a legenda que a explica.

Diferenças entre o gerenciamento dos resíduos sólidos entre o Brasil e em alguns países desenvolvidos como na Europa.
outubro 17, 2008 2 Comments
ACV – Análise de Ciclo de Vida
Todos os produtos possuem uma espécie de “vida”, que começa com o seu design, seguido pela extração da matéria-prima, beneficiamento industrial, uso ou consumo, até a destinação final (reuso, reciclagem, lixo). Todas as atividades, ou processos, desta “vida” possuem um impacto ambiental associado, seja pelo consumo de recursos naturais não-renováveis ou pela emissão de gases poluentes durante o beneficiamento industrial.
Ou seja, podemos dizer que todos os produtos possuem um ciclo de vida, que podemos estruturar sistematicamente. Esse ciclo de vida é composto por vários sub-sistemas conectados entre si, formando um fluxo progressivo que se inicia com a extração da matéria-prima, passando pela industrialização, uso, consumo até a disposição final. Todo esse processo do ciclo de vida é considerado um ciclo completo e, muitas vezes, nos referimos a ele como: “do berço ao túmulo”; ou quando a destinação final é a reciclagem: “do berço ao berço”.
A ACV, Análise do ciclo de vida, é um procedimento metodológico de avaliação e quantização dos impactos ambientais associados ao ciclo de vida de um produto, ou seja, consiste na compilação de um inventário de todas as entradas e saídas pertinentes a um processo, seguida pela interpretação e análise destes dados, a fim de concluir os impactos ambientais potenciais associados a estas entradas e saídas. Os impactos que devem ser considerados incluem o uso de recursos, a saúde humana e as conseqüências ecológicas, assim sendo, podemos citar poluição sonora e poluição atmosférica que geram um stress toxicológico para os trabalhadores, contaminação de recursos hídricos, contaminação do solo, esgotamento de recursos não-renováveis e etc.
A ACV irá possibilitar uma compreensão global dos possíveis impactos associados a um processo de produção de um produto, assim é mais fácil visualizar e identificar oportunidades para melhorar os aspectos ambientais de várias partes do processo de produção. A ACV também é uma ferramenta de planejamento estratégico, auxiliando a tomada de decisões na indústria, como a modernização do processo de produção, a implantação de uma nova tecnologia ou a simples definição de prioridades. A ACV também pode ir mais além, servindo para promover o produto, através de uma declaração de qualidade ambiental ou de um programa de rotulagem ecológica e estimulando a empresa a criar novos procedimentos técnicos de medição e de monitoramento dos seus próprios processos de produção.
Quando um estudo de ACV está sendo conduzido, a fase do design/planejamento do produto normalmente é excluída deste, pois assumem que sua contribuição seja insignificante. No entanto, podemos observar que as decisões tomadas nesta fase inicial irão exercer forte influência sobre a quantidade de impactos ambientais existentes nas outras fases do ciclo de vida. Ou seja, o planejamento de um produto determina fortemente o seu comportamento ambiental nos estágios a seguir. Por exemplo, o design de um automóvel (carroceria, motor, potência) irá definir como será o seu consumo de combustível e seu nível de emissão de gases durante a fase de uso e, também, exercerá uma forte influência sobre a possibilidade de aproveitamento das peças para reuso ou reciclagem. Portanto, se um dos objetivos da ACV é a melhoria do produto, o estudo deve abranger também a etapa de planejamento e design do produto, veja a figura abaixo.
Para que se obtenha sucesso na compreensão ambiental de produtos através da ACV é essencial que haja credibilidade técnica e que sejam seguidos os princípios e a estrutura estabelecidos na Norma NBR ISO 14040: 2001 “Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida –Princípios e estrutura.” da ABNT. Detalhes adicionais relativos aos métodos em várias fases de uma ACV podem ser encontrados nas Normas complementares: ISO 14041, ISO 14042, ISO 14043; todas da ABNT.
A ACV é apenas uma dentre as várias técnicas existentes de gestão ambiental, não necessariamente, ela é a técnica mais apropriada para um determinado tipo de situação, por exemplo, tipicamente este estudo não aborda aspectos sociais e econômicos de um produto, ou seja, assim podemos concluir que todas as técnicas possuem as suas limitações.
Entre as limitações da ACV, podemos citar:
o A precisão da ACV pode ser limitada pela falta de dados pertinentes ou pela qualidade dos dados, o estudo está sujeito à falhas humanas.
o Algumas vezes, a falta de dimensões espaciais e temporais dos dados do inventário pode gerar incertezas quanto a quantitatização do impacto.
o Os resultados de uma ACV que enfoca questões globais ou regionais podem não ser apropriados para aplicações locais, ou seja, a realidade local muitas vezes é diferente da global.
o A natureza das escolhas dos métodos, das fontes de dado, das técnicas de medição, do estabelecimento das fronteiras do sistema e, até mesmo, do objetivo do estudo, podem ser subjetivas.
outubro 9, 2008 1 Comment





