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Cursos de Engenharia Ambiental

Sobre cursos de engenharia

Notícia de 29/06/2009 – 13h28
Fonte: Uol – Seção Educação
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/06/29/ult105u8318.jhtm
MEC decide mudar nomes de cursos de engenharia
Da Redação
Em São Paulo
O MEC (Ministério da Educação) anunciou nesta segunda feira (29) que irá mudar nomes de cursos de engenharia após consulta pública. O meio acadêmico e a sociedade poderão propor mudanças e inclusões até o dia 31 de julho, pela internet. Os 258 nomes diferentes para essas graduações deverão ser reagrupados em 22 nomenclaturas.
O excesso de nomes ocorre pelo acréscimo de “sobrenomes” ou de digitação errada, segundo o diretor de regulação e supervisão da Sesu (Secretaria de Educação Superior), Paulo Wollinger. Assim, as nomenclaturas engenharia elétrica, elétrica e eletrônica, eletrotécnica, elétrica e das energias e elétrica industrial passarão a ser denominadas apenas como engenharia elétrica, por exemplo.
“O objetivo é organizar as nomenclaturas, não o de pôr camisa de força nos cursos. As instituições podem criar cursos, desde que o perfil profissional contenha diferenças substanciais em relação a algum já existente”, explica Wollinger.
No ensino superior, dos 26 mil cursos de graduação existentes, sete mil têm nomes diferentes para o mesmo projeto pedagógico.
Veja como os cursos de engenharia ficarão no documento convergência de denominações. Consulte também os referenciais dos cursos de engenharia, documento que serve de base para a elaboração dos projetos pedagógicos dos cursos e que é voltado também para a orientação de estudantes e de empresas.

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Controle Ambiental

Como lidar com exposição a riscos ambientais?

Autora: Professora Dr. Sônia Corina Hess
Prezados(as),
Durante o III Seminário Nacional sobre Agrotóxicos, Saúde e Sociedade, realizado em Brasília entre os dias 8 e 10/julho/09, três pessoas relataram casos graves de exposicao a riscos ambientais. Em um deles, uma comunidade é ameaçada, diariamente e há mais de 03 anos, por gases venenosos provenientes de uma industria de agrotóxicos; uma outra comunidade é afetada por agrotóxicos aplicados por aviões a serviço de uma grande plantação vizinha; e uma terceira comunidade convive, há mais de 6 anos, com grandes tonéis contendo brometo de metila, que pertenciam a uma indústria de agrotóxicos que fechou. Naquela mesma localidade, que fica em área atingida pela seca, a comunidade nao têm mais acesso as fontes de agua potável, que foram cercadas e são mantidas sob a vigilância de policiais.
Nos 3 casos, foi descrito que muitas pessoas já apresentam problemas de saúde decorrentes da exposição aos produtos químicos venenosos.
Ao ouvirem tais dramáticos relatos, Procuradores da República e uma técnica da 4a CCR-PGR (Maria Rita) presentes naquele evento, se sensibilizaram e viabilizaram o registro daquelas denúncias na PGR, se comprometendo a intervir diretamente naqueles casos.
Eu penso que, em casos como estes, em que as pessoas estão sendo submetidas a riscos reais de adoecimento e morte, as autoridades tem por dever tomar providências imediatas para que o risco cesse.
Além disso, as vítimas deveriam receber o apoio de organismos governamentais e não-governamentais, para que suas denúncias resultassem em ações rápidas e efetivas, em sua defesa. PARA TANTO, PENSO QUE AS ENTIDADES DEVERIAM ELABORAR ESTRATÉGIAS DE APOIO A PESSOAS EM RISCO QUÍMICO SEVERO.
Neste sentido, encaminharei a seguir, medidas que penso que as vítimas e entidades poderiam tomar, para tentarem conseguir apoio. Também forneço telefones, endereços, emails e portais da internet que elas poderiam acessar.
SUGESTÕES:
1) Registrar queixa na delegacia de polícia mais próxima, pedindo ao delegado responsável que encaminhe equipe de peritos ao local. Guardar a cópia do Boletim de Ocorrência. Lembrar de descrever detalhadamente o local da ocorrência, os responsáveis pelo problema, as possíveis substâncias tóxicas que estão atingindo as vítimas, e fornecer todas as provas que possam ser úteis no processo (fotos, filmagens, reportagens na midia, depoimentos, etc). É recomendável que não uma pessoa, mas um grupo de pessoas, se dirija a autoridade policial;
2) Também registrar queixa na Superintendência da Polícia Federal mais próxima, pedindo ao agente responsável que encaminhe equipe de peritos ao local. Guardar a cópia do registro da denúncia. Se a população diretamente atingida estiver distante de alguma sede da PF, deverá solicitar apoio a entidades que possam encaminhar sua denúncia, na cidade mais próxima onde houver superintendência da PF.
3) O mesmo procedimento deverá ser realizado junto ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal. Para encontrar os telefones e enderecos dos Procuradores da República nos Estados, acessar o portal: http://www2.pgr.mpf.gov.br/procuradores/prs/pr-estados
4) Intervir junto as entidades, para que denúncias possam constar como parte dos encaminhamentos das conferências municipais, estaduais e nacional de Saúde Ambiental, que terão início em breve, ainda em 2009.
Sugerir aos organizadores desta Conferência que convidem o MPF, MPE e MPT para que instalem estrutura nos locais onde serão realizadas as conferências estaduais e nacional, visando o registro de denúncias de riscos presentes em suas comunidades. Durante a realização da Conferência Nacional, em dezembro, os organizadores poderão apoiar os denunciantes, solicitando informações as autoridades presentes, sobre o andamento dos processos registrados durante as conferências estaduais;
5) Se as pessoas atingidas tiverem ligações com a igreja católica, tambem poderão, com o apoio de párocos, encaminhar sua denúncia a CNBB (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL). Pessoas ligadas a outras religiões também deverão procurar seus líderes, em busca de apoio;
6) ENCAMINHAR A DENÚNCIA COMPLETA, COM PROVAS E DOCUMENTOS COMPROVANDO O REGISTRO DAS MESMAS EM ORGÃOS GOVERNAMENTAIS À ENTIDADES DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS, COMO:
MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos SEPN 506, Bloco “C” mezanino sala 14-A, Fones 61 -3273-7170 – 3272-7307
CEP: 70740-503 – Brasília – DF
denuncia@mndh.org.br
7) Onde já estiver funcionando, encaminhar a denúncia para o CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS do estado onde o fato ocorre:
REGIÃO NORTE
AM Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
Av. Epaminondas nº 600, Térreo, Centro – Manaus – AM – Cep.: 69.010-090
gabsec@sejus.gov.br sejus@sejus.am.gov.br
(92) 3215-2745 / 2705 / 2724
REGIÃO NORDESTE
AL Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos
Rua Senador Mendonça, 153, Ed. Muniz Falcão, térreo, Centro – Maceió – AL
Cep.: 57.020-030
ceddh.al@bol.com.br
(82) 221-7960
BA Conselho Estadual de Direitos Humanos
Secretaria de Justiça de Direitos Humanos – Superintendência de Apoio e Defesa de Direitos Humanos Av. Luís Viana Filho 400, Plataforma 4, 4ª Avenida, Centro Administrativo da Bahia, 2º andar – Salvador – BA – Cep.: 41.746-900 sudh.superint@sjdh.ba.gov.br
(71) 3115- 8462 / 8457
CE Conselho de Direitos Humanos
Av. Barão Studart nº 505, Anexo I – Meireles – Fortaleza – CE
Cep.: 60.120-000
conselhos@soma.ce.gov.br
(85) 3101-1252 / 1233
MA Conselho Estadual dos Direitos Humanos
Av. Senador Vitorino Freire, Quadra 16, nº 1, Ed. Jonas Martins Soares, 6º andar, sala 604 – Areinha – MA – Cep.: 65.032-550 ceddhma@hotmail.com
(98) 3212-4108 / 4101 / 4154
PB Conselho Estadual de Direitos Humanos
Avenida Maximiano de Figueiredo 36, sala 203, Centro – João Pessoa – PB
Cep.: 58.000-000
noaldo@terra.com.br
(83) 3221-8479 / 3222- 3718
PE Conselho Estadual dos Direitos Humanos
Rua do sossego 432, Boa Vista – Recife /PE – Cep.: 53.000-000 fernandogajop@yahoo.com
(81) 3222 – 2036
PI Conselho Estadual dos Direitos Humanos
Av. Pedro Freitas, s/n – Centro Administrativo – Bloco “G” – 2º andar – Teresina – PI
CEP.: 64018-900
justiça@justiça.pi.gov.br conen_pi@yahoo.com.br
(86) 3216-1754 / 1752
RN Conselho Estadual dos Direitos Humanos
Av. Deodoro 249, Bairro Petrópolis – Natal – RN – Cep.: 59.012-600 direitoshumanos@rn.gov.br
(84) 3221-5932
REGIÃO CENTRO-OESTE
GO Conselho Estadual de Direitos Humanos
Rua 2 , nº 24, Edifício Rio Vermelho, 9º andar – Setor Centro – Goiânia – GO
Cep.: 74.013-020
direitos.humanos@sstj.gov.br
(62) 3201- 7188 e 3201-1059 / 1003
MT Conselho Estadual de Direitos Humanos
Rua Antonio João 294 Centro, Bairro Centro – Cáceres – MT – Cep.: 78.200-000 cdhdmb@terra.com.br
(65) 223-3667
REGIÃO SUDESTE
ES Conselho Estadual dos Direitos Humanos
Av. Governador Blay 236, Ed. Fábio Rusk, – Vitória – ES – Cep.: 29.010-150 cedh@sejus.es.gov.br cedh-es@bol.com.br (27)3132-1820 / 1821
MG Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONEDH)
Rua da Bahia 1148, 3º andar, sala 322 – Belo Horizonte – MG – Cep.: 30.160-906 carolinedantas@terra.com.br
(31) 3224-5343 / 6967
RJ Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos
Av. Presidente Vargas, 817, 16º andar – centro – RJ – CEP: 20071-004 sec.sedh@direitoshumanos.rj.gov.br
(21) 3399-1197
SP Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
Pátio do Colégio, 148, 2º andar, sala 24 – São Paulo – SP – Cep.: 01.016-040
condepe@justica.sp.org.br condepeconselho@ig.com.br
(11) 3291-2645 3105-1693 (fax)

REGIÃO SUL

PR Conselho Estadual de Direitos Humanos
Rua Inácio Lustosa 700, Térreo – Curitiba – PR – Cep.: 80.510-000 codic@seju.pr.gov.br
(41) 221-7249 / 7250 / 7251

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Controle Ambiental Tecnologias Ambientais

Vaga-lumes sinalizam impactos ambientais

Por Jussara Mangini, da Agência Fapesp
Estudo do Biota-FAPESP mapeia biodiversidade de vaga-lumes na Mata Atlântica e abre caminhos para preservar espécies e seus ambientes naturais. Inseto pode ser usado como bioindicador ambiental.
O Brasil é o país com maior diversidade de espécies luminescentes no mundo. A emissão de luz fria e visível por seres vivos é observada em organismos que vão de bactérias a peixes, incluindo vaga-lumes e as chamadas larvas “trenzinho”, que emitem luz em duas cores.
Entender como a luz é produzida nesses organismos pode iluminar o caminho para o diagnóstico e tratamento de doenças como câncer e infecções bacterianas. As enzimas responsáveis pela bioluminescência – as luciferases, que catalisam a reação que produz a luz nos animais, e as proteínas fluorescentes, que têm a propriedade de mudar a cor da luz – estão sendo aplicadas em biotecnologia e em bioimageamento de processos patológicos.
Dada a importância dos organismos bioluminescentes, sua conservação é prioridade para Vadim Viviani, professor do campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele investiga, há mais de dez anos, o mecanismo de funcionamento da bioluminescência e as possibilidades de aplicação como agentes bioanalíticos, bioindicadores e biossensores.
Há dois anos, Viviani coordena o projeto de pesquisa “Vaga-lumes da Mata Atlântica – Biodiversidade e uso como bioindicadores”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular e realizado no âmbito do programa Biota-FAPESP.
“Com os impactos ambientais, a riqueza desses organismos está se perdendo. Para utilizar espécies como o vaga-lume para essas finalidades, é necessário preservá-las, principalmente conservando seus ambientes naturais”, disse à Agência FAPESP.
Nesse estudo, a equipe orientada pelo pesquisador, que também é líder do grupo Bioluminescência e Biofotônica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), está catalogando a biodiversidade de vaga-lumes na Mata Atlântica do Estado de São Paulo, estudando sua evolução sob o aspecto molecular e avaliando algumas espécies-chave como indicadores ambientais de áreas palustres e ribeirinhas.
A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em vaga-lumes no mundo. Em um único trecho, em Salesópolis (SP), por exemplo, foram catalogadas 50 espécies. Segundo Viviani, embora o Brasil concentre cerca de 25% das 2 mil espécies descritas, não se aproveita o potencial do vaga-lume como bioindicador de impacto ambiental.
Existem espécies que vivem em ambientes palustres (aquáticos). Quando a água está poluída desaparece o caramujo, que é o alimento do vaga-lume, e, com isso, a espécie some. Já em locais em que os cursos de água (brejo) estão preservados, o inseto permanece ou volta. “No Japão, vaga-lumes são muito usados como bioindicadores na recuperação de cursos de água”, comentou.
Tais insetos também são bons modelos para entender o impacto da poluição luminosa. Eles usam seu sinal luminoso para fins de reprodução – é um padrão de comunicação sexual. Quando o nível de iluminação de fundo aumenta, macho e fêmea não conseguem se localizar pelo sinal.
De acordo com Viviani, o impacto da poluição luminosa ocorre em diversos organismos, principalmente os noturnos. Pode afetar a relação predador-presa tornando um ou outro mais visível.
Os filhotes de tartarugas marinhas, por exemplo, quando os ovos eclodem, se orientam pela luz das estrelas a caminho do mar. Quando avistam luz da cidade seguem na direção contrária, comprometendo sua sobrevivência. “Infelizmente, nunca foi dada muita atenção para a poluição luminosa”, ressaltou.
Conhecimento acumulado
Há muito interesse em saber qual o mecanismo de funcionamento das enzimas relacionadas com a bioluminescência e, a partir disso, tentar modificá-las para torná-las ainda mais aplicáveis do que já são, inclusive na área ambiental. Existem, por exemplo, diversos biossensores que usam luciferases de vaga-lume, em nível molecular, para detectar agentes tóxicos na água.
Recentemente, outro grupo orientado por Viviani comparou enzimas luciferases clonadas com uma proteína semelhante, mas fracamente bioluminescente – uma AMP-ligase, presente em todos os organismos e que desempenha variadas funções metabólicas.
O objetivo foi descobrir se e como a AMP-ligase pode adquirir a propriedade de produzir luz. Segundo o professor da UFSCar, esse tipo de informação pode ajudar a tornar mais eficientes as enzimas que já produzem luz e tornar enzimas que não produzem em luminescentes.
Durante o 15º Congresso Internacional de Fotobiologia, realizado em Dusseldorf, na Alemanha, de 18 a 23 de junho, Viviani coordenou o Simpósio de Bioluminescência, no qual importantes avanços científicos sobre a estrutura e função dessas enzimas e as crescentes aplicações em bioimageamento foram discutidos por cientistas de diferentes nacionalidades.
Em 2008, o conhecimento produzido por diversos especialistas da área de bioluminescência foi apresentado no livro Luciferases and fluorescent proteins: principles and biotechology and bioimaging (Luciferases e proteínas fluorescentes: princípios e avanços em biotecnologia e bioimageamento), editado por Viviani.
Fonte: Envolverde/Agência Fapesp

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Desenvolvimento Sustentável

Câncer e outras doenças ambientais

Autora: Sônia Corina Hess*
Os fatores de risco para o câncer ganham especial relevância no Brasil neste momento, em que a ministra Dilma Roussef e o vice-presidente José Alencar enfrentam esta doença que, em 2008 resultou em, pelo menos, 546.009 internações hospitalares custeadas pelo Sistema Único de Saúde. Além disso, entre 2002 e 2006, as neoplasias figuraram entre as cinco principais causas dos óbitos ocorridos no país, sendo a maior causa de morte das mulheres falecidas com idades entre 30 e 49 anos, e a segunda causa de óbito das pessoas com mais de 50 anos de idade.Naquele mesmo período, as maiores proporções dos óbitos por neoplasias foram registradas no RS, SC, PR, SP e DF.
No meio científico, tem sido crescente o número de estudos evidenciando que a contaminação ambiental por produtos químicos perigosos tem resultado no desencadeamento de doenças graves, como o câncer.
Substâncias artificiais quimicamente muito diferentes têm atividades carcinogênicas, incluindo agrotóxicos de uso ainda permitido no Brasil, como os inseticidas endossulfan e paration metílico, os herbicidas atrazina e linurom, e o fungicida vinclozolina. Além disso, produtos que fazem parte da composição de filtros solares, plásticos, cosméticos, detergentes e de outros materiais amplamente utilizados atualmente são cancerígenos e desregulam o sistema hormonal de mamíferos e de outros animais, tendo potencial para causarem malformações congênitas, infertilidade, feminização de machos, alterações no comportamento, diabetes, entre outros problemas.
Destaca-se que as repercussões destas descobertas resultaram, em alguns locais, na implantação de restrições legais ao uso de materiais ainda amplamente empregados no mundo inteiro. Por exemplo, na cidade de Chicago e no estado americano de Minnesota, foi proibida a comercialização de mamadeiras plásticas feitas de policarbonato, que liberam nos alimentos infantis o bisfenol A, uma substância cancerígena que atua, também, como desregulador hormonal. No Brasil, por outro lado, a maioria das mamadeiras comercializadas atualmente contém este material.
Cientistas brasileiros também têm divulgado dados relevantes à saúde pública, obtidos em análises ambientais. Por exemplo, neste ano, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares da USP descreveram que substâncias cancerígenas e capazes de desregular o sistema hormonal das crianças estavam presentes em brinquedos importados da Ásia e que, em alguns daqueles brinquedos havia, inclusive, materiais radioativos.
No início deste ano, um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Química da USP foi premiado pela União Internacional de Toxicologia, por ter evidenciado que o chumbo que contaminou o organismo dos adolescentes investigados era diretamente responsável pelo seu comportamento violento e antissocial.
Em 2006, pesquisadores da Unicamp divulgaram que, em análises realizadas com águas potáveis destinadas ao abastecimento público da região de Campinas (SP), foram encontradas substâncias com atividades hormonais e carcinogênicas em concentrações muito superiores àquelas necessárias ao desencadeamento de efeitos biológicos.
Na atmosfera de muitas cidades brasileiras também tem sido aferida a presença de substâncias tóxicas e cancerígenas acima dos limites legalmente permitidos, resultando em graves agravos à saúde da população exposta. Por exemplo, pesquisadores revelaram que, somente na cidade de São Paulo, morrem mais de 3.000 pessoas ao ano devido à exposição aos poluentes provenientes da queima incompleta de combustíveis veiculares. Em Piracicaba e Araraquara/SP, por outro lado, o adoecimento e morte de centenas de pessoas foram associados à poluição atmosférica causada pela queima da cana-de-açúcar, que antecede a colheita manual.
Diante das evidências apresentadas, espera-se que as autoridades brasileiras empreendam esforços para que os riscos ambientais para o câncer e outras doenças sejam conhecidos e minimizados. Certamente, tudo o que for investido na prevenção de tais doenças resultará em grandes benefícios para o país, tanto em termos materiais, quanto em outros imensuráveis parâmetros.
*Engenheira Química e pós-doutora em Química, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, assessora do Ministério Público do Trabalho e dos ministérios públicos Federal e Estadual de Mato Grosso do Sul em processos envolvendo questões ambientais com repercussões na saúde pública.

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Controle Ambiental Gestão Ambiental

Hidrelétricas e Efeito-estufa: Solução ou problema?

Jean Remy Davée Guimarães discute problemas sociais e ambientais associados à opção pela energia hidrelétrica
Veja reportagem completa em: http://cienciahoje.uol.com.br/147631

Hidrelétricas e Efeito-estufa

E se você achava que hidrelétricas são simpáticas por não fazerem fumaça, acorde: elas também contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa como CO 2 e metano, no reservatório, nas turbinas e rio abaixo, para a formação de criadouros de vetores, perda de terras aráveis e monumentos naturais, desmatamento ao longo das linhas de transmissão, e muitos outros tipos de impacto.
Não há mais espaço para detalhá-los, fica para uma próxima (para saber mais a respeito, leia o artigo de capa da CH 245, de janeiro de 2008). Mas essa lista resumida talvez explique por que foram colocadas varias dezenas de condicionantes para o licenciamento ambiental das usinas do Madeira. Difícil atribuí-las apenas ao burocratismo ou à má vontade dos supostos inimigos do progresso.
Se a geração de hidrletricidade tem impactos ambientais e socioeconômicos, qualquer outra forma de gerar energia – óleo, gás, carvão, energia nuclear, eólica, solar, geotérmica, maremotriz – também tem. Um painel solar é fashion, simpático, silencioso e inodoro, mas foi produzido em alguma fábrica distante, barulhenta e fedorenta, a partir de matérias-primas extraídas de minas idem.
A avaliação de uma opção energética deve ser abrangente, incluindo todas as suas etapas e não apenas as mais visíveis, como a represa, o painel solar ou a termelétrica. A avaliação dos custos ambientais e de saúde de cada opção energética é ainda mais complexa, como vimos pelos poucos exemplos acima. Nesse contexto, pôr a culpa no bagre não ajuda a tomar decisões esclarecidas.