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Controle Ambiental Gestão Ambiental

Gestão ambiental X Gerenciamento ambiental

Muitas pessoas confundem as expressões gestão ambiental e gerenciamento ambiental.
A gestão ambiental integra em seu significado:
1.    A política ambiental, que é o conjunto consistente de princípios doitrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. Uma estratégia ambiental adequada, expressa através de uma política ambiental, é o marco inicial para que as empresas considerem os aspectos ambientais das suas operações.
2.    O planejamento ambiental, que é o estudo prospectivo que visa a adequação do uso, controle e proteção do ambiente às aspirações sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente em uma política ambiental, através da coordenação, compatibilização, articulação e implantação de projetos de intervenções estruturais e não-estruturais;
3.    O gerenciamento ambiental, que é o conjunto de ações destinado a regular o uso, controle, proteção e conservação do meio ambiente, e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela política ambiental.
Observa-se assim que o gerenciamento ambiental, na verdade, é parte integrante da gestão ambiental.

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Desenvolvimento Sustentável Planejamento Ambiental

A crise e a revolução verde

Artigo publicado na Seção Opinião do Jornal Valor Econômico de 27/11/2008
Por:
Ban Ki-moon – secretário-geral das Nações Unidas.
Susilo Bambang Yudhoyono – presidente da Indonésia.
Donald Tusk – primeiro-ministro da Polônia
Anders Fogh Rasmussen – primeiro-ministro da Dinamarca.

Os dirigentes mundiais devem se lembrar que enfrentamos duas crises: a financeira, que é a mais imediata, e a climática que possui um caráter mais existencial. A urgência da primeira não é desculpa para se descuidar da segunda. Pelo contrário, é uma oportunidade para matar dois coelhos com uma cajadada só.
Deixemos de lado os argumentos habituais: que o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas é claro, que o problema se agravará se não agirmos, que combater o aquecimento global é um imperativo moral. Em vez disso, procuremos argumentar em termos de pragmatismo econômico.
O crescimento mundial está mais lento. Os orçamentos estão mais limitados. É provável que tenhamos menos recursos para resolver uma lista cada vez mais longa de problemas. Que medidas podemos tomar para criar empregos e incentivar o crescimento? Como garantir o abastecimento energético a preços viáveis? Que devemos fazer para proteger o sistema financeiro mundial para que os povos de todos os países possam colher os benefícios do desenvolvimento e viver com estabilidade?
A resposta é encontrar soluções comuns para os graves desafios que enfrentamos. E no caso dos dois mais graves – a crise financeira e as mudanças climáticas – a resposta é a economia verde. Se nosso estilo de vida está ameaçado, temos que nos adaptar. Os cientistas concordam: precisamos de uma revolução energética, uma transformação no tipo de energia que utilizamos. Os economistas também estão de acordo: o setor onde se registra um crescimento mais rápido é o das energias renováveis.
Os filósofos pragmáticos nos lembram que o amanhã começa hoje. Sim, a crise financeira possui uma importância fundamental. Mas enfrentaremos um desafio igualmente importante no começo de dezembro, quando os países se reunirão em Poznan, na Polônia, para o próximo ciclo de negociações sobre a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O seu objetivo é preparar o terreno para um importante acordo em Copenhague, em dezembro do próximo ano, quando os líderes mundiais se reunirão para negociar um acordo sobre mudanças climáticas que todos os países possam adotar.
Mas os desejos não se traduzem automaticamente em atos. Mas sejamos claros: é isso que as pessoas, as empresas, os investidores e os governos querem. De fato, isso já está acontecendo. O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) calcula que o investimento mundial em energias que não geram gases do efeito estufa atingirá US$ 1,9 bilhão em 2020. No mundo inteiro, há quase dois milhões de pessoas empregadas nas novas indústrias de energia eólica e solar, metade delas na China. O programa de biocombustíveis do Brasil vem criando quase um milhão de empregos por ano. Na Alemanha, o investimento em tecnologias ambientais deverá quadruplicar nos próximos anos, atingindo 16% da produção da indústria transformadora em 2030, e empregando mais trabalhadores do que a indústria automobilística.
Não é necessário esperar que as novas tecnologias cheguem, nem nos preocupar excessivamente com os custos de ação. Alguns estudos revelam que os Estados Unidos poderiam reduzir as emissões de carbono por um custo baixo ou nulo, utilizando os conhecimentos existentes. Podemos nos inspirar no caso da Dinamarca, que realizou grandes investimentos no crescimento verde. Desde 1980, o seu PIB aumentou 78%, tendo-se apenas registrado aumentos mínimos no consumo de energia. A Polônia conseguiu reduzir suas emissões em um terço nos últimos 17 anos, enquanto a sua economia se expandia. Para as empresas, este tipo de poupança traduz-se em lucros. Hoje as empresas européias do setor das tecnologias verdes estão usufruindo de vantagens consideráveis por terem sido as primeiras no mercado, representando um terço deste mercado.
Com as políticas certas e com incentivos financeiros, podemos ter crescimento econômico com baixo nível de emissões de carbono. Com as políticas e os incentivos certos, podemos garantir que os países desenvolvidos e em desenvolvimento contribuam para a causa da luta contra o aquecimento global, usando seus próprios métodos, sem comprometer o direito de cada país ao desenvolvimento e ao bem-estar econômico dos seus cidadãos.
Os empresários com visão mais clara sabem disso. Essa é uma das razões pelas quais exigem políticas claras e coerentes em matéria de mudanças climáticas – políticas mundiais para um problema mundial. Em Poznan e, posteriormente, em Copenhague, algumas pessoas procurarão obter limites rigorosos para as emissões. Outras preferirão metas voluntárias. Muitas pedirão políticas destinadas a reduzir o desmatamento, que é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa. O investimento de US$ 17 a US$ 39 bilhões por ano seria suficiente para reduzir esta quantidade pela metade e incentivaria a criação de empregos relacionados com a proteção do meio ambiente em países tropicais como a Indonésia.
Infelizmente, não podemos escolher. Necessitamos de todas estas abordagens. Mais ainda, precisamos de liderança – uma liderança esclarecida – e de uma visão mundial acompanhada de ação. A atual crise financeira é um alerta. Requer idéias novas. Exige soluções inovadoras que levem em consideração os grandes desafios que enfrentamos como comunidade global. Não é um convite para adiar o que é necessário fazer para garantir nosso futuro. Não há mais tempo a perder.

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Controle Ambiental

Custo de operação X Custo de instalação

Toda instalação de tecnologia ambiental possui um custo de implantação e um custo de operação. Muitas vezes no projeto de uma instalação ambiental, por exemplo, uma estação de tratamento de esgotos ou de água, um equipamento como filtros de manga para controle da poluição do ar e etc, o projetista não avalia a relação existente entre o custo de operação e o custo de instalação.
Essa relação é muito interessante, pois se o custo de implantação é baixo e o custo de manutenção alto, em longo prazo o custo da tecnologia é muito maior. Já se o custo de instalação é alto e decorrente disto praticamente não há custo de manutenção, em longo prazo o custo da tecnologia será menor. Assim, observa-se que muitas vezes é interessante gastar mais na implantação de uma tecnologia mais eficiente e com menor manutenção, do que preferir imediatamente o projeto mais barato. Uma lembrança daquele velho ditado: “as vezes, o barato sai caro”.

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Controle Ambiental

Impactos ambientais da produção Industrial

A história da relação de indústrias com o meio ambiente tem demonstrado que os impactos ambientais resultantes das atividades produtivas podem vir a comprometer o futuro do planeta. Desta forma, todos os esforços na busca de promover o desenvolvimento sustentável devem ser prioritários, tanto a nível acadêmico, profissional, como político-social.

Com o passar do tempo percebeu-se que a geração de resíduos industriais, em especial, é resultado da ineficiência de transformação de insumos (matérias–primas, água e energia) em produtos, acarretando em danos ao meio ambiente e custos para a empresa. A geração de resíduos passou a ser considerada como um desperdício de dinheiro com compra de insumos, desgaste de equipamentos, horas de empregados, etc, além dos demais custos envolvidos com o seu armazenamento, tratamento, transporte e disposição final. A solução para a minimização destes problemas veio com a adoção de técnicas conhecidas como de “controle preventivo”, significando evitar ou minimizar a geração de resíduos na fonte. São exemplos disso: a minimização do consumo de água, o uso de matérias – primas atóxicas, dentre outras.

Desta forma, torna-se essencial o interesse pelos processos produtivos industriais e a realização de projetos e estudos que visem a redução e a erradicação de poluentes gerados, afim de garantir a preservação do meio e benefícios econômicos para a própria indústria. E para se atingir a produção sustentável são requeridas ações muito mais amplas, dentre as quais se destacam a Produção Mais Limpa e a Prevenção a Poluição, cujos principais conceitos serão apresentados logo a seguir.

A busca para se atingir a produção sustentável, através de redução e/ou erradicação de resíduos poluentes na fonte geradora consistem no desenvolvimento de ações capazes de promover a redução de desperdícios, a conservação de recursos naturais, a redução ou eliminação de substâncias tóxicas, a redução da quantidade de resíduos gerados por processo e produtos, e consequentemente, a redução de poluentes lançados para o ar, solo e águas.

Têm sido utilizados ao redor do mundo diversos termos para definir este conceito, tais como: Produção mais Limpa (Cleaner Production), Prevenção à Poluição ( Pollution Prevention), Tecnologias Limpas (Clean Technologies), Redução na Fonte ( Source Reduction) e Minimização de Resíduos ( Waste Minimization).

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Recursos Hídricos

A relação entre os Recursos hídricos e o Aquecimento Global

Artigo publicado no Jornal Correio do Estado em 03/12/2008.

O ciclo hidrológico é o ciclo da água na natureza. Este ciclo é um ciclo fechado globalmente, mas não localmente. Basicamente em seu ciclo a água percorre todos os sistemas terrestres, a litosfera (o solo), a atmosfera e a biosfera (a água dentro dos animais e plantas perdida através da evapotranspiração). Assim, podemos dizer que todos os sistemas terrestres dependem da hidrosfera, para manter os seus processos e dinâmicas naturais.

Recursos hídricos” é um termo usado para se referir à água como um recurso natural disponível ao uso para as atividades humanas. Da própria concepção de um recurso natural, temos que os recursos hídricos são um bem de uso comum, ao qual todos têm o direito de livre acesso. Não só a vida humana, como toda a biosfera depende da água, ela é fundamental para a manutenção dos processos fisiológicos que permitem a vida.

Para o homem, o uso mais nobre dos recursos hídricos é para o abastecimento público e a dessedentação de animais, no entanto a água também é usada para irrigação, em processos industriais, em limpeza e higienização de ambientes, ou seja, os recursos hídricos possuem usos múltiplos. Assim, tem-se que os mesmos devem ser estudados em caráter multifuncional, pois atendem a diversas funções sociais e ambientais. O principal desafio da gestão dos recursos hídricos é conservá-los, para que no futuro haja água em qualidade e quantidade disponíveis para a população.

Neste contexto, torna-se importante discutir os efeitos do aquecimento global sobre os recursos hídricos: se a temperatura da superfície da Terra aumenta, mudam as dinâmicas de transferência de calor e energia do ciclo hidrológico, pois os estados físicos e as propriedades da água dependem da temperatura ambiente. Assim tem-se que a hidrosfera será afetada e consequentemente todos os outros sistemas também, principalmente a biosfera, pois em geral os organismos vivos são adaptados a temperaturas específicas e resistentes somente a pequenas variações das mesmas.

Em termos gerais, o aquecimento global pode afetar a disponibilidade hídrica no futuro, e mudar o modo de distribuição da água na Terra. Muitas áreas serão desertificadas, enquanto outras terão problemas com chuvas intensas. Cada grau centígrado de aumento da temperatura terrestre irá trazer impactos diferentes, e estes são cumulativos, segundo o 2º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) se o aumento chegar a 4º C estima-se que até 3,2 bilhões de pessoas poderão sofrer com a falta d’água e que a subida do nível do mar irá ameaçar a existência de cidades costeiras em todo o mundo. As previsões de aquecimento para o fim deste século estimam entre 1,8º C e 4º C a mais na média da temperatura mundial.

Como o homem depende dos recursos hídricos para sobreviver, alterações imprevisíveis e incontroláveis na disponibilidade deste recurso como as que podem advir do aquecimento global trarão impactos não só para o abastecimento humano como também para as atividades econômicas, por exemplo, na agricultura, pode ocorrer perda de safras devido à falta ou excesso de chuvas, a produção de energia elétrica através de hidrelétricas pode ser prejudicada devido a diminuição da vazão dos rios e etc.

O interessante do aquecimento global é que neste processo ocorre feedback positivo, ou seja, conforme os efeitos aparecem, eles potencializam o processo, intensificando ainda mais a ocorrência dos próprios efeitos. Por exemplo, estima-se que se o cenário de aumento de 4º C na temperatura terrestre se concretizar, 40% da biosfera vai se tornar uma fonte de carbono, ou seja, vai entrar em decomposição, liberando mais gases estufa e agravando ainda mais o aquecimento global. Outro exemplo é o fato de que o derretimento das geleiras aumenta a absorção de calor pela superfície terrestre, já que o gelo era um material altamente reflectante da luz do sol, aumentando a absorção de calor aumenta a quantidade de radiação infravermelha térmica irradiada pelo planeta, que contribui novamente para aumentar a intensidade do aquecimento global.

A tarefa da ciência agora é estudar as variáveis existentes para entender melhor a variabilidade climática atual dentro do cenário de mudanças climáticas globais, assim como os possíveis impactos desta mudança sobre cada país e o mundo. A máxima é que a longo e em curto prazo é preciso mudar a relação do homem moderno com a natureza, com os recursos naturais. A humanidade precisa trabalhar em conjunto para reverter essa situação. O desenvolvimento sustentável não significa abrir mão dos prazeres e confortos da vida moderna, mas sim torná-los ambientalmente compatíveis.