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Energia a partir do metano de ETEs

A reportagem abaixo demonstra o potencial de geração de energia através dos metanos das Estações de Tratamento de Esgoto e dos aterros sanitários. Lembrando que este tipo de utilização desses gases, além de gerar o benefício econômico da energia, também pode gerar créditos de carbono.
O que comprova mais uma vez que é importante aproveitar o potencial econômico dos resíduos sólidos, das emissões gasosas e dos efluentes liquídos, no entanto sempre garantindo que sejam utilizadas as tecnologias adequadas para evitar possíveis danos ambientais deste processo.

Metano vai virar energia no Paraná

Fonte: Jornal Valor Econômico de 26/09/2008
Miriam Karam, para o Valor, de Curitiba

Se tudo der certo, em pouco tempo toda a energia usada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para captar e processar esgoto será produzida pela própria empresa.

Na Estação Ouro Verde, em Foz do Iguaçu, a empresa testa um sistema para transformar gás metano em energia e já provou que, com isso, evita o lançamento de 13 toneladas de gás metano por ano na atmosfera. E serão oito mil toneladas ao ano quando o projeto estiver concluído e todo o metano gerado nas estações de tratamento for convertido em energia elétrica .

O metano, subproduto do tratamento de esgoto pelo processo anaeróbio, é um dos gases que mais contribuem para o aquecimento global. É vinte e uma vezes mais prejudicial que o CO2. Hoje, a maior parte desse gás é queimada nas estações de tratamento e o resíduo lançado na atmosfera.

Na Ouro Verde são produzidos 1,5 mil kW/h por mês de energia, o suficiente para abastecer cinco residências durante um mês, segundo a diretora de meio ambiente e ação social da Sanepar, Maria Arlete Rosa.

Quando o sistema for implantado nas 199 estações de tratamento de esgoto (ETEs) que a Sanepar opera, terá capacidade para gerar 200 kW/mês de energia, bem mais que os 80 kW/mês que a empresa consome. A energia excedente poderá ser vendida para a Companhia Paranaense de Energia (Copel).

A transformação do gás metano em energia faz parte de um amplo programa da Sanepar de busca por energias renováveis, o que torna a estatal pioneira no setor no país. O interesse na pesquisa é porque a energia responde por 11% do custo total do processo de funcionamento da empresa, que é a maior cliente da Copel.

O uso da energia elétrica gerada pelo processo de tratamento de esgoto poderá, no futuro, gerar economia de mais de R$ 3 milhões por ano para a empresa.

Maria Arlete destaca que essa política energética traz benefícios de várias fontes. Ao incentivar a produção de energias renováveis, o trabalho anda na direção de diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, faz a reciclagem de passivo ambiental e reduz consideravelmente custos operacionais.

E tudo resulta num ganho concreto ainda maior. Funcionando a partir dos próprios resíduos para produzir energia, a Sanepar faz planos para entrar no cobiçado mercado de créditos de carbono. Os estudos para isto, diz Maria Arlete, estão em fase final.

A busca por energias renováveis, na Sanepar, começou, na verdade, em 1988, com o lançamento de um programa interdisciplinar de pesquisa, do qual participaram mais de cem pesquisadores de diversas instituições de pesquisa do Paraná.

Os estudos resultaram na produção de pelo menos duzentos artigos científicos e livros técnicos e foram decisivos para a definição dos critérios adotados pela legislação que orienta o uso agrícola de lodo de esgoto, programa ganhador dos prêmios FINEP de Inovação Tecnológica de 1988 e 2007.

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Controle Ambiental

Impactos ambientais de rodovias

A existência de passivos ambientais ocorre principalmente em rodovias antigas, implantadas há mais de 20 anos atrás, quando ainda não se existia a consciência ecológica e as ciências ambientais, como a Engenharia ambiental, eram pouco difundidas e possuíam pouca prática nessa área.

Atualmente a área ambiental está em avanço, isso principalmente devido ao surgimento de legislação, profissionais técnicos e literatura especializada no assunto. Os avanços no tratamento ambiental de rodovias também estão relacionados à incorporação da variável ambiental na rotina de trabalho dos órgãos rodoviários, à maior fiscalização dos órgãos ambientais competentes, à difusão de manuais técnicos contendo instruções ambientais para projetos e obras rodoviárias, à avaliação econômica das medidas de controle ambiental e quantificação dos custos ambientais de projetos, da implantação, e da manutenção de rodovias e à progressiva implantação de programas de recuperação do passivo ambiental em diversas rodovias do país.

As áreas de influência são as áreas em que podem ser observados os efeitos da rodovia. A área de influência indireta compreende a faixa em que os efeitos são sentidos de modo diluído ou indiretamente, geralmente, este impactos estão relacionados com os conflitos potenciais resultantes da ocupação e/ou apropriação inadequadas do espaço rural ou urbano, ou com a perturbação de usos consolidados da área.

A área de influência direta geralmente envolve no mínimo as faixas de domínio da estrada e/ou as microbacias de drenagem, geralmente é nessa área que aparecem os principais impactos ambientais da rodovia (ex: erosões, desapropriações, segregação urbana, etc.) Os impactos ambientais significativos geralmente ocorrem na área de influência direta da rodovia.

“Passivo ambiental: é o conjunto das degradações constituído por externalidades geradas pela existência da rodovia sobre terceiros e por terceiros sobre a rodovia.” [Plano Básico Ambiental No 14 da BR-101/NE trecho Natal/RN – Palmares/PE]

Para acabar com um passivo ambiental é necessário um investimento financeiro, que muitas vezes não trará nenhum outro benefício à não ser o ambiental, assim, ocorre frequentemente de ninguém querer assumir a responsabilidade de um passivo ambiental. Mas os agentes degradadores deviam assumir sua responsabilidade social, pois ainda que os investimentos na área ambiental, e portanto, o reconhecimento de seus passivos ambientais possam gerar custos diretos, com certeza em períodos futuros eles trarão alguns benefícios, já que evitarão multas e todas as demais formas de penalidades, contribuirão para a redução de custos e para a melhoria da imagem da empresa perante a sociedade.

Os impactos ambientais cadastrados ao longo do segmento da rodovia compreendem o seu passivo ambiental, que foi gerado a partir da implantação da rodovia e de atividades antrópicas danosas ao corpo estradal, a faixa de domínio e a região lindeira.

Alguns dos principais impactos ambientais, tanto positivos, como negativos, decorrentes da implantação de uma rodovia são:

a. No meio Sócio-Econômico: conflito de uso e ocupação do solo; alterações nas atividades econômicas das regiões por onde a rodovia passa; mudanças nas condições de emprego e qualidade de vida para as populações; segurança do tráfego, ruído, vibrações, emissões atmosféricas que pode ter efeito sobre a saúde humana; desapropriações; riscos ao patrimônio cultural, histórico e arqueológico; travessias/intrusão urbana, uso indevido da faixa de domínio (construções, escavações e descartes, depósito de lixo orgânico).

b. No meio biótico: impedimento dos processos de intercâmbio ecológicos por corte de áreas; riscos de atropelamento de animais; risco a áreas protegidas e a biótopos ecológicos importantes; redução da cobertura vegetal; aumento da pressão sobre ecossistemas terrestres e aquáticos; incêndios nas faixas de domínio; poluição em ambientes aquáticos e riscos para a vida aquática (o lixiviado da lavagem das pistas que cai em corpos d’água superficiais, pode alterar a sua qualidade, aumentar seus nutrientes e gerar processos de eutrofização em lagos e açudes).

c. E no meio físico: retirada de solos; indução a processos erosivos/ voçorocas em antigas áreas exploradas e taludes; instabilidade de taludes, rompimento de fundações; terraplenagem, empréstimos e bota-foras; degradação de áreas de canteiro de obras, trilhas e caminhos de serviço; rebaixamento do lençol freático; risco para a qualidade de água superficial (aumento da turbidez) e subterrânea por concentração de poluentes; assoreamento de terrenos naturais, bacias de drenagem e cursos d’água; Alagamentos, decorrentes do represamento por Obras de Arte Correntes e sistema de drenagem (pontes, viadutos) mal posicionados e/ou obstruídos.

Se você acha que realmente tudo isso que está escrito acima é só teoria, leia a reportagem abaixo:

Minc suspende licenciamento da BR-319

Fonte: Jornal Valor Econômico do dia 25/09/2008
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem a suspensão, por 60 dias, do processo de licenciamento ambiental para asfaltamento da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Esse prazo servirá para que um grupo de trabalho, composto pelo seu ministério e os de Transportes e Integração Nacional, pelo Ibama, Instituto Chico Mendes, governos de Rondônia e Amazonas conclua um relatório detalhando o projeto, os prazos de implementação e os custos de manutenção da obra por um prazo de dez anos. “Sem isso não haverá licença para o asfalto. Não somos nem seremos carimbadores da irresponsabilidade”, disse Minc.

A BR-319 tem pequenos trechos asfaltados nos pontos que partem das duas capitais. Mas a maior parte da rodovia – cerca de 800 quilômetros, embora o Ibama não defina com precisão esse tamanho – ainda está por ser feita. “Ela corta o filé mignon da preservação ambiental, o coração da Amazônia de ponta a ponta”, afirmou o ministro. Por isso, ele teme que as obras na região aumentem o desmatamento. “Só o anúncio do asfaltamento da BR-163 provocou um aumento de 500% no desmatamento ao longo da rodovia”, disse.

O ministro de Meio Ambiente não se mostrou convencido, ainda, se o melhor para a região seria de fato uma estrada. Durante pausa na reunião com os governadores da Amazônia, há duas semanas, Minc conversou com Ivo Cassol (PPS-RO) e Eduardo Braga (PMDB-AM), que teriam apresentado como alternativa a construção de uma ferrovia ligando as duas capitais. “Eles me garantiram, inclusive, que os caminhões poderiam transitar pelos trilhos, algo que eu nunca tinha ouvido falar”, disse Minc.

Como sabe das dificuldades que enfrenta para impor suas posições diante dos demais ministros – a BR 319 está incluída nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – Minc ressalta que a decisão sobre a construção de uma ferrovia ou de uma rodovia será de governo. Resignado, lembra que acabou tendo de assinar a licença ambiental de Angra 3, “para meu desgosto, diante de um país com um enorme potencial hídrico”.

Mas não esconde que vem sendo pressionado por diversas idéias sedutoras. “Outro dia, veio aqui o Jorge Viana, ex-governador do Acre, que me disse que o transporte de pessoas e cargas entre Manaus e Porto Velho poderia ser feito pelo próprio Rio Madeira, que, nesse trecho é completamente navegável e corre em paralelo com o traçado da rodovia”.

Por tudo isso, Minc quer se cercar de todas as garantias possíveis para conceder a licença ambiental. E um das críticas mais ácidas dele envolve o próprio governo federal, mas também o governo da Amazônia. De acordo com o ministro, sete parques federais – três deles criados durante a sua gestão – e outros três estaduais, não foram implementados, totalizando 8,2 milhões de hectares teoricamente protegidos. “Parque de papel não protege ninguém, só a má-consciência. Por ser de papel, ele pega fogo mais fácil”, disse ele.

O ministro também classificou esse período pré-eleitoral como delicado para o combate ao desmatamento, pois “nenhum governador ou prefeito quer ser antipático”. Ele diz que sobrevoou diversas regiões nas últimas semanas, incluindo áreas onde foram apreendidos bois piratas, e as queimadas voltaram aos mesmo nível de antes. “Temos visto nos últimos meses a Amazônia pegando fogo, governos estaduais e municipais fazendo corpo mole, devastadores respondendo inquérito sem a certeza de condenação e pressões para que aprovemos projetos a toque de caixa”, reclamou.

Na próxima segunda, Minc promete anunciar uma lista com os cem maiores devastadores da Amazônia – pessoas físicas e jurídicas – para mostrar quem são “os grandes inimigos da floresta”. No mesmo dia também anunciará a ampliação, provavelmente para um número entre seis e oito (atualmente são apenas dois), dos pontos de bloqueio colocados nas rodovias BR-364 e 163, que servem para apreensão de madeira irregular extraída da floresta.

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Gestão Ambiental Planejamento Ambiental Resíduos Sólidos Tecnologias Ambientais

Ganho de valor através da gestão dos resíduos sólidos

A reportagem abaixo do Jornal Valor Econômico exemplifica muito bem como os resíduos sólidos possuem um valor econômico que pode ser aproveitado através do seu gerenciamento adequado.
O ponto principal para garantir este aproveitamento é separar na fonte geradora, visando que a mistura de diversos tipos de resíduos não gerem contaminação ou inviabilizem uma separação futura.
Lendo a reportagem também podemos perceber que para cada tipo de resíduo em geral existe uma possibilidade de reaproveitamento ou de reciclagem, ou seja, que a fração que realmente é rejeito é muito pequena, o que demonstra que é besteira ficar entupindo aterros sanitários com materiais que ainda possuem utilidade.


Produtividade aumenta com a gestão de resíduos

Fonte: Jornal Valor Econômico de 30/09/2008

Por Silvia Torikachvlli de São Paulo

As ações de responsabilidade ambiental desembarcaram há quase oito anos no Shopping Iguatemi de São Paulo – e vieram a reboque de providências de ordem econômica. Só na garagem da avenida Faria Lima, 6.464 lâmpadas de 40 w foram substituídas por 3.232 luminárias de 32 w, que iluminam mais e representam hoje uma diminuição de 30% na conta de luz. “A troca gerou uma redução no consumo de cerca de 38 mil kW/ano”, calcula Charles Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi. “Essa economia permitiu ainda redução de 50% na compra de lâmpadas para garagens.”
Krell, vice-presidente de operações do Iguatemi: troca de vasos sanitários diminuiu em 50% o consumo de água
A economia sempre fala mais alto na hora de tomar decisões de ordem ambiental. Os vasos sanitários dos oitenta banheiros do Iguatemi foram substituídos há cinco anos: saíram os de 12 litros e entraram os de 6 litros. Para ilustrar a redução de consumo, Krell cita um dado de 1998, quando a conta mensal de água era de 8.876 m3. Em 2006, o consumo caiu para 4.838 m3/mês. “Uma queda de 50%, mesmo considerando que nesse intervalo o shopping passou por três expansões de área.”
Não há segredo nessa redução. Krell vai enumerando as providências tomadas a partir da economia conquistada com a diminuição do consumo. Armazenar a água da chuva em tanques com tratamento específico representou uma redução de 12% no consumo, diz ele. “Mas também acionamos constantemente os caça-vazamentos, construímos poços artesianos, introduzimos travas nas válvulas de descarga, torneiras economizadoras – tudo para aumentar a eficiência sem perder a qualidade.”
Mesmo sendo uma edificação com mais de 40 anos de funcionamento, o Iguatemi, segundo Krell, pode ser incluído entre os 20% de shoppings da nova geração que, justamente por terem sido construídos de acordo com as novas normas ambientais, ostentam sofisticadas modelos de gestão de resíduos. Em 2007, segundo Krell, a rede Iguatemi encaminhou para a reciclagem 1.805 toneladas de materiais como papelão, metal, papel, plástico, vidro e óleo de cozinha.
Encaminhar para a reciclagem não basta. Fundamental mesmo é acompanhar a trilha do descarte de todos os resíduos. O shopping Dom Pedro, construído em 2002, em Campinas (SP), pela rede Sonae Sierra, é modelo de gestão ambiental, segundo a coordenadora Elizabeth Morita. As providências começaram antes mesmo da construção. As árvores retiradas da área para dar lugar ao empreendimento foram transportadas para o Parque Ribeirão das Pedras. O espaço, até então deteriorado e abandonado, recebeu 35 mil mudas de árvores nativas. Nessas ações, Campinas ganhou um shopping e uma área de lazer renovada. “Essa experiência deu tão certo que vamos replicar no empreendimento do grupo em Goiânia”, diz Elizabeth.
O acompanhamento da trilha do descarte de resíduos das 360 lojas do shopping Dom Pedro, por onde circulam cerca de 1,8 milhão de consumidores por mês, mereceu o ISO 14001, que estabelece diretrizes básicas para o gerenciamento da questão ambiental. “Nossa reciclagem fica entre os 65% e 70%, o que nos garantiu o segundo lugar na pesquisa que abrange um universo de 140 shoppings no mundo inteiro.”
A gestão dos resíduos é acompanhada de perto no Dom Pedro – “o que significa que cada descarte tem relatório do parceiro que recolhe e auditoria que confere a destinação e utilização final”, diz Elizabeth. No caso das 20 toneladas de cascas de cítricos e borra de café, a empresa que faz a gestão de resíduos direciona tudo para a compostagem numa fazenda do interior, que vende o produto obtido para empresas de paisagismo e jardinagem. As sobras de alimentos, cerca de 65 toneladas/mês, são encaminhadas para beneficiamento e, posteriormente, transformadas em ração animal.
Para que essas etapas todas funcionem em sintonia, os lojistas recebem treinamentos e os próprios consumidores são informados sobre como podem participar. As embalagens de papelão ondulado, que costumam voltar à fábrica em forma de reciclável, estão na mira de exclusão. A administração do Dom Pedro incentiva os lojistas a trocar as caixas de papelão por embalagens vai-e-volta de plástico. O Dom Pedro, enfim, não pára de inventar. A nova estação de tratamento de efluentes vem representando uma reutilização de 35% da água consumida, que bate nos 20 mil m3 por mês. “Os sanitários e a rega dos jardins são abastecidos com água de reúso”, diz Elizabeth.
No Rio de Janeiro, o NorteShopping está em operação há 21 anos, com 350 lojas que atraem cerca de 2,5 milhões de pessoas/mês. As primeiras ações ambientais começaram em 1998, segundo Maria Fernanda De Paoli, gerente de marketing do empreendimento. E começaram pela reciclagem do lixo. De duas a três vezes ao dia os coletores percorrem as lojas onde já existe uma separação prévia de resíduos. O resultado das coletas vai para diferentes empresas especializadas em reciclagem. “Temos relatórios mensais das empresas terceirizadas que nos garantem que cada descarte é feito de forma apropriada”, diz Maria Fernanda.
Por sugestão dos donos de restaurantes, a coleta de óleo de cozinha foi incluída como modalidade de descarte no NorteShopping. “A cada dia vamos agregando novas formas de gerenciar os resíduos”, diz Maria Fernanda. A água de chuva já é 100% tratada e utilizada na alimentação do chafariz do shopping. A reutilização da água de esgoto também foi providência adotada recentemente. Uma estação de tratamento capta os efluentes e trata o material, que é reutilizado no sistema de ar condicionado. “Essa medida representa uma economia de 250 mil caixas d´água”, calcula Maria Fernanda. “É quantidade suficiente para abastecer um edifício de 24 apartamentos com três pessoas em cada unidade.”
A usina de co-geração de energia do NorteShopping, que antes funcionava a diesel, agora é movida a gás natural. O processo está em andamento há cerca de seis anos e representa a cada ano uma economia de 30% de energia elétrica e 40% no consumo de água. “Estamos deixando de gastar dinheiro à toa”, comemora Maria Fernanda. “Com processos ecologicamente corretos reduzimos custos e alcançamos maior produtividade.”
Para que os clientes sejam informados das ações de forma que façam parte dessa grande ciranda, Maria Fernanda providenciou adesivos para cada uma das mesas da praça de alimentação. Ali, todo consumidor fica sabendo como e onde descartar seu próprio lixo. “Ele se transforma num elo dessa cadeia ao ser informado, por exemplo, que 60% dos copos utilizados, ou mais de 670 kg de plástico, foram transformados em outros produtos graças à colaboração dele”, diz Maria Fernanda. “É raro algum consumidor resistir a esse apelo.” (S.T.)

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Tecnologias Ambientais

Leilão de créditos de carbono em SP

Seguindo a linha dos últimos posts sobre o Protocolo de Kyoto e créditos de carbono, coloquei a reportagem abaixo para demonstrar como o mercado de títulos de redução certificada de emissão (RCE) ou créditos de carbono está crescendo e ampliando o seu potencial de ganhos econômicos. Estes créditos de carbono leiloados pela Prefeitura de São Paulo são resultado dos seus projetos de captação de gás metano dos aterros sanitários para simples queima, em alguns casos, e em outros para geração de energia.

Leilão de carbono tem ágio em SP

Fonte: Jornal Valor Econômico 26/09/2008
Agência Brasil, de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo obteve ágio de 35,2% no leilão de crédito de carbono realizado ontem. Os 713 mil títulos de Redução Certificada de Emissão (RCE) foram ofertados ao preço mínimo de US$ 14,2 por tonelada, valor que subiu durante o pregão para US$ 19,2, o que gerou o pagamento de US$ 13,689 milhões (R$ 37 milhões)

Das dez instituições que participaram do leilão, oito apresentaram ofertas. O lote único foi arrematado pela empresa de energia suíça Mercuria Energy Trading. A secretária-adjunta de Governo do município, Stela Stein, explicou que o total arrecadado será destinado a projetos nas áreas social e de meio ambiente das comunidades próximas aos aterros sanitários Bandeirantes (zona norte) e São João (zona leste), de onde foram originados os títulos.

É a segunda vez que a prefeitura negocia créditos de carbono no mercado. A diferença em comparação ao ano passado foi a valorização dos títulos. Na venda anterior, a tonelada estava cotada a US$ 16,2, e agora saiu por US$ 19,2.